Safra de soja 2026/27 exige estratégias distintas para o Sul e o Cerrado sob influência do El Niño

Safra de soja 2026/27 exige estratégias distintas para o Sul e o Cerrado sob influência do El Niño

Agro

A safra de soja 2026/27 inicia sob a influência direta do fenômeno El Niño, que impõe um desafio logístico e técnico para os produtores brasileiros. Com a previsão de continuidade do evento climático até 2027, o planejamento agrícola torna-se o principal aliado para mitigar riscos, exigindo estratégias de manejo customizadas conforme as particularidades de cada região produtora do país.

Desafios climáticos e operacionais no Sul

No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a preocupação central reside no excesso de umidade. As chuvas frequentes, características do fenômeno nesta região, podem restringir a janela de trabalho, dificultando a entrada de máquinas no campo e mantendo o solo e a folhagem constantemente úmidos.

Segundo Gustavo Corsini, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, a saturação hídrica pode comprometer a emergência das plântulas e favorecer o surgimento de doenças radiculares, como a podridão-radicular de fitoftora. O monitoramento constante é indispensável, pois a interrupção das aplicações por conta de dias chuvosos exige que o produtor tenha flexibilidade e agilidade para retomar o controle fitossanitário assim que as condições permitirem.

Estratégias de plantio e resistência no Cerrado

Em contrapartida, as áreas do Centro-Oeste e do Norte enfrentam um cenário de chuvas mais espaçadas e temperaturas elevadas. Nestas regiões, o foco do manejo deve estar voltado para o estabelecimento robusto da cultura e o desenvolvimento profundo do sistema radicular, essencial para que a planta suporte eventuais períodos de estresse hídrico.

A presença de fatores limitantes, como a compactação do solo, a incidência de nematoides e níveis elevados de alumínio, pode agravar os efeitos da irregularidade das chuvas. A recomendação técnica é que o produtor realize uma avaliação rigorosa do solo antes do plantio, combinando o tratamento de sementes com práticas de manejo que favoreçam a resiliência da lavoura desde os primeiros dias.

Monitoramento fitossanitário e controle de pragas

O manejo integrado de pragas e doenças ganha contornos de urgência nesta safra. O controle de plantas daninhas, como o caruru e o capim-pé-de-galinha, torna-se crítico no início do ciclo, visto que competem diretamente com a soja por recursos hídricos limitados. A escolha dos métodos de controle deve ser pautada pelo histórico da área e pelas condições climáticas do momento da aplicação.

Quanto às pragas, organismos como a mosca-branca, percevejos e lagartas exigem atenção redobrada. O especialista ressalta que, embora o clima influencie a dinâmica populacional desses insetos, a decisão de intervir deve ser baseada estritamente no monitoramento técnico e nos critérios de manejo integrado, evitando aplicações preventivas desnecessárias que aumentam o custo de produção.

Planejamento e visão de mercado

Além da gestão agronômica, o sucesso da safra 2026/27 depende de uma visão comercial atenta. A volatilidade climática impacta diretamente a produtividade esperada, e o produtor deve estar ciente de que a valorização de preços no mercado não compensa, necessariamente, perdas significativas de volume na colheita. Para mais análises sobre o setor, acesse o portal da Embrapa Soja e acompanhe as atualizações diárias aqui no ConexRS, seu parceiro na busca por informação qualificada e contextualizada sobre o agronegócio brasileiro.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br