Samu de Porto Alegre enfrenta crise com quase 300 faltas de motoristas em 2026

Samu de Porto Alegre enfrenta crise com quase 300 faltas de motoristas em 2026

Rio Grande do Sul

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Porto Alegre atravessa um período crítico de operação, marcado pela escassez de profissionais e ambulâncias paradas. Dados internos revelam que, apenas em 2026, foram registradas 297 faltas de motoristas, além de 106 atrasos, comprometendo diretamente a capacidade de resposta do serviço de emergência na capital gaúcha. A situação, que se arrasta desde o ano anterior, coloca em risco o atendimento à população e levanta questionamentos sobre a gestão do contrato com a empresa terceirizada.

Impacto direto na assistência à saúde da população

A ausência de condutores nas escalas tem causado reflexos graves nas ruas. Relatos de pacientes que aguardam por longos períodos, chegando a ultrapassar cinco horas em situações de urgência, tornaram-se uma preocupação constante. A indisponibilidade de uma única unidade móvel pode deixar uma vasta região, com cerca de 90 a 100 mil habitantes, desassistida, segundo profissionais que atuam na linha de frente e temem represálias ao denunciar as falhas.

A reportagem acompanhou casos emblemáticos, como o de um idoso de 71 anos, portador de doença degenerativa, que aguardava atendimento com fortes dores abdominais sem condições de ser transportado por meios próprios. Em outra ocorrência, um acidente de trânsito envolvendo um motociclista teve o socorro atrasado em uma hora e meia, evidenciando a fragilidade operacional causada pela falta de efetivo.

Contradições e polêmicas sobre capacidade técnica

A gestão do contrato com a empresa Gerir Hospitalar é alvo de intensa controvérsia. Embora a Prefeitura de Porto Alegre tenha aplicado uma multa de R$ 34.718,34 em dezembro passado pelo descumprimento das obrigações contratuais, uma funcionária do Samu emitiu um atestado de capacidade técnica em favor da mesma empresa logo no mês seguinte. O documento, que classificava o serviço como de “bom desempenho operacional”, foi classificado por ex-servidores como imoral e incompatível com a realidade enfrentada nas bases.

O secretário municipal da Saúde, Fernando Ritter, afirmou que o atestado será reavaliado para impedir que a instituição participe de novas licitações. O impacto do documento, contudo, extrapolou as fronteiras da capital. A Prefeitura de Glorinha chegou a utilizar o atestado para contratar a empresa, mas suspendeu o contrato cautelarmente após tomar conhecimento das irregularidades e da natureza inverídica das informações contidas no documento.

Posicionamento da empresa e medidas futuras

Em resposta às críticas, a Gerir Hospitalar informou que implementou um “prêmio assiduidade” como estratégia para reduzir as faltas. A empresa alega que a necessidade de qualificações específicas para os condutores de ambulância dificulta a reposição imediata de profissionais em caso de ausências. Até o momento, a direção da empresa não se manifestou sobre a emissão do polêmico atestado de capacidade técnica.

Enquanto a transição para uma nova gestão de condutores não é concretizada, a Secretaria Municipal da Saúde promete manter reuniões de acompanhamento e aplicar novas sanções. O cenário permanece sob vigilância, com a expectativa de que a reorganização do serviço possa restabelecer a agilidade necessária para salvar vidas. O ConexRS segue acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em trazer informações apuradas e relevantes sobre a saúde pública e os serviços essenciais para a nossa comunidade.

Para mais detalhes sobre este e outros temas de interesse público, continue acompanhando o portal g1, que detalhou as falhas operacionais do sistema.

Fonte: g1.globo.com