Saúde mental e gestão: por que cuidar do CPF é vital para o CNPJ

Saúde mental e gestão: por que cuidar do CPF é vital para o CNPJ

Negócios

Gerenciar um negócio exige atenção constante a múltiplos fatores, como estoque, controle financeiro, qualidade da produção e relacionamento com clientes e fornecedores. No entanto, em meio a essa rotina intensa, a saúde mental do empreendedor costuma ser negligenciada. O tema foi o foco do debate promovido pela Feira do Empreendedor 2026, realizada pelo Sebrae RS no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, ao receber a psicóloga e consultora de estratégia de negócios Juliana Guterres no palco Sebrae Tá On.

Durante sua participação no evento, a especialista destacou a tendência de os empresários concentrarem todos os esforços nos números e na sobrevivência da empresa, deixando de lado o próprio bem-estar. Segundo ela, a exaustão enfrentada por quem empreende não decorre de falta de dedicação, mas sim de circunstâncias como a sobrecarga de trabalho e a pressão por resultados constantes. Com formação em Psicologia, Gestão Comercial e Filosofia, além de MBAs em Psicanálise, Varejo e Cooperativismo, Juliana relatou sua própria experiência à frente de uma empresa familiar, período em que acumulou funções até sofrer de burnout e decidir mudar sua atuação profissional.

A metáfora da árvore e os impactos da sobrecarga

Para ilustrar a relação entre a gestão empresarial e o equilíbrio psicológico, a palestrante recorreu a conceitos da Organização Mundial da Saúde e propôs uma metáfora comparando a estrutura de uma organização ao ciclo de uma árvore. Nesse modelo, a raiz representa a conexão com as pessoas, o tronco simboliza a capacidade de funcionamento e geração de receita, as ferramentas correspondem aos recursos de enfrentamento e as flores traduzem o desenvolvimento e o sucesso do negócio.

Dados apresentados por Juliana apontam que cerca de 70% dos empreendedores enfrentam algum tipo de questão relacionada à saúde mental. Desse total, aproximadamente 85% relatam episódios de ansiedade e 37% mencionam ataques de pânico. A especialista também criticou a romantização da carreira empreendedora e a imposição de uma positividade tóxica que responsabiliza unicamente o indivíduo pelo sucesso ou fracasso de suas empreitadas.

Saúde mental tratada como pauta de gestão

Diante do cenário de esgotamento relatado por grande parte dos empresários, a consultora defende que o cuidado com a mente não deve ser visto apenas como uma questão de bem-estar, mas sim como uma ferramenta indispensável de gestão estratégica. De acordo com sua análise, decisões equivocadas ou falhas na comunicação com colaboradores e clientes muitas vezes decorrem da exaustão e da falta de suporte adequado para lidar com a pressão cotidiana.

Para auxiliar na identificação dos próprios limites, a palestrante destacou quatro fatores de autoavaliação: frequência, intensidade, duração e funcionamento. Ela alertou que os estágios iniciais da síndrome de burnout costumam ser reforçados por uma cultura que valoriza a dedicação extrema em detrimento das necessidades básicas de descanso e alimentação. O painel integrou a programação do segundo dia da Feira do Empreendedor 2026, promovida pelo Sebrae RS.