Em um cenário econômico marcado por taxas de juros elevadas, o Grupo Smart Fit (SMFT3) enfrenta o desafio de manter sua trajetória de crescimento enquanto navega por um ambiente de crédito restritivo. Diogo Corona, que assumiu o posto de CEO há oito meses, aponta que o custo do capital é hoje o principal obstáculo para o setor de varejo, impactando diretamente o planejamento estratégico da maior rede de academias da América Latina.
A companhia, que consolidou um ecossistema robusto integrando academias próprias, franquias e a plataforma TotalPass, tem visto suas ações reagirem positivamente na bolsa, acumulando uma alta de 44% nos últimos 30 dias. Contudo, o executivo mantém uma postura de cautela. Para Corona, empreender em um país com juros próximos a 15% exige uma eficiência operacional rigorosa, já que os investimentos precisam superar esse patamar de retorno para serem considerados viáveis.
A gestão de riscos na expansão internacional
A estratégia de crescimento da Smart Fit fora do Brasil tem sido pautada pela análise criteriosa das particularidades de cada mercado. A recente entrada na Venezuela, que marca a presença da rede em 17 países, ilustra bem essa abordagem. A empresa optou pelo modelo de franquias para mitigar riscos financeiros em um país que, embora apresente sinais de melhora econômica, ainda exige prudência devido à instabilidade geopolítica.
A definição do modelo de entrada — seja por unidades próprias ou franquias — segue uma lógica baseada no tamanho do mercado e no ambiente macroeconômico local. Em países de grande porte, como Brasil e México, a companhia adota uma estratégia mista. Já em mercados menores, o modelo de franquia é priorizado para preservar o capital da empresa, permitindo que a marca ganhe capilaridade sem comprometer o balanço financeiro com investimentos diretos de alto risco.
O fortalecimento do ecossistema de bem-estar
Apesar das pressões macroeconômicas, o grupo aposta na consolidação da chamada “era wellness”. Com o mercado global de bem-estar atingindo a marca de US$ 6,8 trilhões em 2024, segundo o Global Wellness Economy Monitor, a Smart Fit tem diversificado sua atuação para além da musculação tradicional. A criação da plataforma BEON Studios e a recente aquisição de uma fatia do Buddha Spa demonstram o esforço em capturar diferentes perfis de consumidores.
Essa diversificação é uma resposta direta ao aumento da concorrência, que se intensificou tanto com o surgimento de redes especializadas quanto com a popularização de academias de bairro. A estratégia de oferecer um ecossistema completo, que inclui estúdios de pilates, treinamento funcional e serviços de recuperação muscular, visa fidelizar o cliente em um mercado onde a exigência por serviços especializados cresce de forma consistente, deixando de ser uma tendência passageira para se tornar um hábito consolidado.
O ConexRS segue acompanhando de perto os movimentos do mercado e as estratégias das grandes empresas brasileiras. Nosso compromisso é levar até você uma análise aprofundada, com o contexto necessário para compreender os impactos da economia no seu dia a dia. Continue conosco para se manter informado sobre os desdobramentos do setor fitness e os principais temas que movimentam o cenário nacional.
Fonte: seudinheiro.com

