Soja brasileira retoma fôlego com alta de 27% e demanda internacional aquecida

Soja brasileira retoma fôlego com alta de 27% e demanda internacional aquecida

Geral

O mercado de soja no Brasil atravessa um momento de virada expressiva. Após enfrentar um período de desvalorização acentuada, impulsionado pela entrada da safra 2023/2024 nos Estados Unidos, a oleaginosa voltou a registrar ganhos consistentes. Embora a pressão inicial tenha reduzido os valores internos, a resiliência da demanda global tem atuado como um suporte fundamental para a recuperação das cotações.

Oscilação e retomada das cotações

O cenário de preços da soja apresentou uma trajetória de montanha-russa nos últimos dois anos. Em outubro de 2024, a saca de 60 kg era negociada a R$ 141,83 no porto de Paranaguá. Contudo, o mercado sofreu uma retração nos primeiros meses de 2025, quando a cotação recuou para R$ 126,33, representando uma queda de quase 11%. A reação, porém, foi robusta: nos últimos sete meses, o ativo acumulou uma valorização de 27,5%, atingindo R$ 161,12 em setembro. Esse patamar atual já supera em 13,6% os valores observados há dois anos, sinalizando um novo momento de otimismo para o setor.

Dinâmica de mercado e cautela do produtor

A mudança no comportamento dos produtores rurais tem sido um fator determinante para a sustentação desses preços. Atualmente, há uma menor disposição para a comercialização de grandes volumes, o que reduz a oferta imediata e pressiona as cotações para cima. Esse movimento é acompanhado por um cenário macroeconômico de incertezas, onde a valorização do dólar frente ao real e o aumento dos riscos climáticos globais elevam os chamados prêmios de risco, tornando o produto brasileiro mais valorizado no mercado internacional.

Impacto da demanda chinesa e estoques mundiais

A China, principal motor da demanda global, segue como protagonista na sustentação dos preços. O país asiático intensificou suas compras junto aos Estados Unidos, totalizando cerca de 12 milhões de toneladas adquiridas recentemente. Paralelamente, a redução dos estoques globais cria um ambiente de maior sensibilidade: qualquer interrupção na cadeia de suprimentos ou adversidade climática em grandes regiões produtoras pode desencadear reações ainda mais fortes nos preços das commodities.

Perspectivas para a safra 2026/2027

Para o próximo ciclo, as projeções indicam um horizonte de maior rentabilidade. A expectativa é que a cotação média se mantenha acima dos 13 dólares por bushel. Curiosamente, o Brasil deve observar uma mudança na velocidade de expansão agrícola: a área plantada deve crescer menos de 1%, configurando a menor taxa de expansão das últimas duas décadas. Esse freio no crescimento da área, aliado a uma gestão mais eficiente, tende a melhorar a margem de lucro, com destaque para regiões de alta produtividade, como o médio norte de Mato Grosso, conforme aponta a análise do Canal Rural.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos do agronegócio brasileiro, trazendo análises fundamentadas e o contexto necessário para que você entenda como as variações do mercado impactam a economia nacional. Continue conosco para se manter informado sobre as tendências que moldam o futuro do campo.

Fonte: canalrural.com.br