O plenário do Senado Federal foi palco de um momento de forte carga histórica e pessoal nesta semana. O senador gaúcho Paulo Paim (PT) não conteve a emoção e chorou ao discursar em defesa da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da jornada de trabalho na escala 6×1. O parlamentar, que possui uma trajetória de décadas dedicada às pautas trabalhistas, utilizou um lenço para enxugar as lágrimas enquanto celebrava o avanço da medida, que altera a Constituição Federal de 1988.
Uma trajetória marcada pela luta trabalhista
Durante seu pronunciamento, Paim relembrou sua origem e o longo caminho percorrido até o atual estágio da legislação laboral brasileira. “Quando eu olho para trás, para 30, 40, 50 anos, eu me sinto aqui, agora, um menino negro e pobre que esperou 50 anos para este momento acontecer”, declarou o senador. Ex-metalúrgico natural de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, Paim atua no Congresso Nacional desde 1987 e é senador desde 2003, sendo uma das figuras mais longevas na defesa dos direitos dos trabalhadores no país.
Mudanças na jornada e impacto social
A PEC aprovada, que contou com ampla maioria, altera a Constituição para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas. O texto traz como pilar central a garantia de dois dias de folga remunerada por semana, com preferência para que um deles ocorra aos domingos, assegurando que não haja redução salarial para os trabalhadores. Para Paim, o avanço tecnológico, impulsionado pela inteligência artificial e pela automação, torna imperativa a atualização das relações de trabalho para garantir maior qualidade de vida à população.
Articulação política e votação
O senador fez questão de destacar que abriu mão de uma proposta de sua própria autoria, apresentada em 2015, para somar forças ao texto que veio da Câmara dos Deputados, de autoria dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL). “Eu abri mão daquela, de 2015, e estou apoiando, com alma, coração e vida, esta proposta”, afirmou. A matéria foi aprovada nos dois turnos por 75 votos a favor e apenas um contrário, registrado pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos), também representante do Rio Grande do Sul.
O momento marca um dos capítulos finais da atuação de Paim no Senado, que cumpre seus últimos meses de mandato. A aprovação é vista por especialistas como um marco na história recente do Direito do Trabalho no Brasil, refletindo uma mudança de paradigma sobre o tempo de descanso e o bem-estar do trabalhador. O Senado Federal segue acompanhando os próximos passos da tramitação legislativa.
Acompanhe o ConexRS para se manter informado sobre os desdobramentos desta e de outras pautas que impactam o cenário nacional e regional. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística séria, aprofundada e sempre atenta aos fatos que constroem a história do nosso país.
Fonte: g1.globo.com

