A apresentação do espetáculo teatral Fim de Partida, realizada em Porto Alegre, gerou forte repercussão e protestos do público após a interrupção da peça e a retirada dos intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) do palco. Durante a sessão, o ator Marco Nanini teria solicitado a remoção dos profissionais por conta de um suposto conflito entre a iluminação do cenário e a visibilidade da tradução, o que causou constrangimento e revolta entre espectadores surdos e apoiadores da causa inclusiva presentes no local.
O episódio mobilizou debates nas redes sociais e levou parte da plateia a abandonar o teatro em sinal de solidariedade à comunidade afetada. O caso levantou discussões fundamentais sobre o respeito aos direitos de acessibilidade cultural e a responsabilidade das produções artísticas na garantia de condições adequadas para todos os espectadores, independentemente de suas necessidades sensoriais.
Relatos de constrangimento e mobilização na plateia
Entre os presentes na sessão estava o ator surdo Lucas Bourscheid, que relatou momentos de profunda frustração ao perceber a interrupção do serviço de acessibilidade. Segundo o espectador, a montagem contava inicialmente com recursos planejados, mas a dinâmica foi alterada logo nos primeiros minutos devido a queixas técnicas relacionadas à luz direcionada aos tradutores.
O público que necessitava da interpretação em Libras expressou surpresa e indignação com a decisão tomada durante a exibição da obra de Samuel Beckett. Diante da continuidade do espetáculo sem o suporte inclusivo, diversos frequentadores decidiram deixar o recinto voluntariamente, enquanto outros permaneceram para protestar contra a medida adotada pela produção do evento cultural na capital gaúcha.
Posicionamento da produção e da instituição cultural
Em nota oficial divulgada à imprensa, a Pequena Central de Produções Artísticas admitiu falhas operacionais na coordenação técnica do evento. A empresa reconheceu que não garantiu previamente a compatibilidade entre o posicionamento dos profissionais de tradução e o projeto de iluminação do espetáculo, assumindo total responsabilidade pelo ocorrido e pedindo desculpas formais à comunidade atingida.
Por sua vez, a Fundação Theatro São Pedro manifestou pesar pelo episódio e destacou que equipes técnicas tentaram mediar o impasse antes da retirada definitiva do recurso de inclusão. A instituição reforçou que pauta suas atividades na defesa da diversidade e no acesso democrático aos bens culturais, lamentando os transtornos gerados aos frequentadores que dependiam da interpretação para acompanhar a encenação.
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Fonte: g1.globo.com

