A Vale (VALE3) enfrentou um cenário desafiador no terceiro trimestre de 2026, lidando diretamente com o impacto combinado do minério de ferro em baixa e dos custos elevados de energia. O balanço financeiro divulgado revelou que a mineradora registrou uma queda de 54% no lucro líquido, que recuou para US$ 1,255 bilhão no período. O resultado ficou abaixo das projeções médias do mercado financeiro.
A pressão sobre os números veio de fatores macroeconômicos e operacionais que afetaram a margem da companhia. Além da desvalorização do minério de ferro nos mercados internacionais, a valorização do real frente ao dólar reduziu a conversão das receitas de exportação, enquanto a alta nas cotações globais do petróleo encareceu o frete marítimo global.
Custos de transporte e petróleo pressionam operações
A alta do petróleo impactou diretamente a cadeia logística da mineradora brasileira. O custo all-in de produção e entrega do minério avançou 21%, alcançando US$ 60,4 por tonelada, reflexo direto do encarecimento dos combustíveis utilizados pelos navios cargueiros. Para mitigar esse efeito, a empresa utilizou operações financeiras de hedge atreladas ao Brent, protegendo parte significativa de seu consumo projetado.
As despesas operacionais também subiram com o avanço do custo caixa C1, que chegou a US$ 23,1 por tonelada. A valorização da moeda brasileira frente ao dólar e o encarecimento do diesel utilizado nas minas pesaram no orçamento operacional, exigindo maior rigor na gestão do capital de giro e estratégias de eficiência logística.
Desempenho da produção e mercado de minério
A produção total de minério de ferro somou 88,4 milhões de toneladas no terceiro trimestre, registrando um recuo de 6% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. A retração decorreu principalmente da menor disponibilidade de minério bruto em Serra Norte, embora o avanço de projetos estratégicos como Serra Sul, Capanema e VGR1 tenha ajudado a amortizar a queda nos volumes.
O preço médio de venda do minério recuou para US$ 85,1 por tonelada, pressionado pela desvalorização do insumo e por ajustes contratuais de cargas em trânsito. Mesmo diante do cenário adverso, a administração manteve a projeção de alcançar o piso do guidance anual de produção da commodity, estimado entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.
Avanço da Vale Base Metals no trimestre
Em contraste com a divisão de minério de ferro, a unidade de metais básicos apresentou desempenho positivo. O Ebitda da Vale Base Metals cresceu 61% na comparação anual, somando US$ 1,1 bilhão, impulsionado principalmente pela divisão de cobre, que se beneficiou de preços internacionais firmes e maior rentabilidade operacional.
A produção de cobre alcançou 85,5 mil toneladas, enquanto a de níquel somou 49,7 mil toneladas, alta impulsionada pelo desempenho das operações em Onça Puma e pela refinaria de Sudbury. A empresa reforçou que os metais de transição energética continuam no centro da estratégia de diversificação para os próximos anos, visando atender à demanda global por eletrificação e veículos elétricos.
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