Vale (Vale3) deve registrar queda de quase 50% no lucro do terceiro trimestre pressionada por custos e minério

Vale (Vale3) deve registrar queda de quase 50% no lucro do terceiro trimestre pressionada por custos e minério

Economia

Quando pensamos em Vale (VALE3), a principal matéria-prima que costuma vir à mente é o minério de ferro. No entanto, outro fator externo tem disputado o protagonismo nos balanços financeiros da mineradora: o mercado global de petróleo, cujos impactos refletem diretamente na cadeia logística e nos custos operacionais da companhia.

A mineradora divulga seus resultados financeiros após o encerramento do mercado, gerando forte expectativa entre analistas e investidores quanto ao recuo nos principais indicadores econômicos. A divulgação do relatório de produção ocorre simultaneamente ao balanço trimestral, quebrando a rotina anterior da empresa de antecipar os dados operacionais.

Expectativas do mercado e projeções financeiras

O consenso de mercado compilado pela Bloomberg aponta para um lucro líquido atribuível aos acionistas na casa de R$ 7,598 bilhões, o que representaria uma retração superior a 48% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já para o Ebitda, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, a projeção estipulada é de R$ 18,036 bilhões, configurando uma baixa de 24,13%.

O cenário adverso é complementado por análises de instituições financeiras de peso. O Itaú BBA projeta um Ebitda de US$ 2,66 bilhões para a divisão de ferrosos, evidenciando que a queda nos preços da commodity e o encarecimento do transporte neutralizaram o leve incremento nos volumes embarcados.

O impacto do petróleo e do frete marítimo

O barril do Brent, referência internacional monitorada pelo setor, registrou preço médio de US$ 91,29 durante o trimestre analisado. Embora represente um recuo de 5,6% frente aos três meses anteriores, o patamar ainda significa um avanço expressivo de 34% na comparação anual, pressionando fortemente as contas da mineradora.

Essa alta impacta diretamente a Vale através do bunker, o combustível utilizado pelos grandes navios cargueiros responsáveis pelo transporte do minério. Conforme apontado em relatório emitido pelo Citi, os custos de entrega na China tendem a subir, uma vez que a redução nas despesas de mina não foi suficiente para compensar o frete marítimo mais elevado.

Desempenho da divisão de metais básicos

Enquanto o setor de ferrosos lida com margens mais apertadas, a divisão de metais básicos segue como aposta de diversificação para o futuro da companhia. O Citi estima que o cobre mantenha um desempenho resiliente, gerando Ebitda próximo de US$ 1 bilhão, enquanto o níquel permanece próximo do ponto de equilíbrio devido à desvalorização de sua cotação internacional.

Apesar disso, o Itaú BBA aponta para uma retração geral de 19% no Ebitda dessa divisão, reflexo de paradas programadas para manutenção em unidades produtivas e custos operacionais elevados. A estratégia de longo prazo da empresa continua focada em consolidar esses minerais como novos motores de crescimento, conforme detalhado em análises recentes publicadas pelo Seu Dinheiro.