A Polícia Civil do Rio Grande do Sul informou que vai recolher e submeter à perícia técnica um aparelho de walkie-talkie de brinquedo. O caso ganhou repercussão após uma empresária de Porto Alegre relatar que a filha de quatro anos ouviu uma voz masculina desconhecida vinda do equipamento enquanto brincava em casa.
O episódio ocorreu durante a noite e mobilizou a atenção de autoridades e especialistas em segurança infantil. Segundo o relato registrado em boletim de ocorrência, o homem teria afirmado através do canal de rádio que iria ‘pegar’ a criança, gerando forte apreensão na família e motivando a imediata preservação do objeto.
Investigação policial e encaminhamento do caso
A ocorrência foi inicialmente registrada pela internet e agora está sendo encaminhada para a Divisão da Criança e Adolescente, responsável por conduzir a apuração oficial dos fatos. O delegado responsável pela unidade confirmou que a mãe da menina será chamada formalmente para prestar depoimento e detalhar a dinâmica do ocorrido.
O equipamento apreendido passará por análises laboratoriais para tentar rastrear a origem da transmissão de rádio. As autoridades buscam identificar a autoria da fala e esclarecer se houve uma interferência acidental de frequência ou uma tentativa deliberada de aproximação com a criança por meio das ondas de rádio.
Funcionamento de rádios de brinquedo e alcance
O dispositivo em questão é o modelo Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop, comercializado pela Candide Brinquedos. De acordo com as especificações técnicas informadas pelo fabricante no manual de instruções, o aparelho possui um alcance máximo limitado a quinhentos metros.
Especialistas em radiocomunicação lembram que brinquedos que operam por radiofrequência aberta estão sujeitos a captar sinais externos caso utilizem faixas de comunicação comuns ou estejam desprovidos de sistemas avançados de criptografia e canais isolados. Isso significa que transmissores próximos, como rádios amadores ou outros equipamentos similares na vizinhança, podem eventualmente cruzar o mesmo canal.
Orientações de segurança para o uso de eletrônicos infantis
Diante da repercussão do caso, autoridades policiais reforçaram a necessidade de vigilância constante por parte de pais e responsáveis em relação a qualquer dispositivo que abra canais de comunicação com o ambiente externo. A recomendação vale tanto para rádios comunicadores tradicionais quanto para telefones celulares, computadores e brinquedos conectados à internet.
- Supervisionar o uso de brinquedos eletrônicos com capacidade de transmissão de áudio.
- Verificar especificações de frequência e canais de segurança em equipamentos infantis.
- Retirar pilhas ou desligar aparelhos quando não estiverem sob supervisão direta.
- Registrar ocorrências policiais imediatamente caso ocorram situações suspeitas.
A empresa fabricante do brinquedo foi contatada para se posicionar sobre a possibilidade técnica de o aparelho transmitir sons mesmo sem o botão de acionamento manual estar pressionado, mas ainda não havia enviado retorno oficial até o encerramento da apuração inicial.
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Fonte: g1.globo.com

