O mercado de fundos imobiliários ganhou novidades recentemente com a entrada do Guardian Real Estate (GARE11) na cobertura da XP Investimentos. O veículo, que conta com mais de 563 mil cotistas na bolsa, recebeu recomendação de compra por parte da corretora, acompanhada de um preço-alvo definido em R$ 9,33 por cota.
A avaliação positiva da casa de análise se sustenta na previsibilidade dos proventos, na qualidade dos ativos imobiliários e na gestão ativa da carteira. No entanto, os analistas chamaram a atenção para um ponto específico do portfólio que requer monitoramento: a alta concentração de receitas em poucos locatários.
A trajetória e a consolidação do fundo no mercado
Constituído no ano de 2020, o fundo iniciou sua trajetória na bolsa negociando sob o ticker GALG11, mantendo o foco inicial em um portfólio composto por seis galpões logísticos. Já no segundo semestre de 2023, a estrutura passou por mudanças, adotando o nome Guardian Real Estate e o código GARE11, o que permitiu ampliar a atuação para diferentes segmentos do setor imobiliário.
Desde o início das atividades, o veículo acumula um retorno de 44,8%, superando o desempenho do IFIX e do IFIX Tijolo. Ao final de agosto, a carteira reunia 34 empreendimentos distribuídos em 498 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) própria, equilibrando ativos de renda urbana, galpões logísticos e escritórios.
Estrutura operacional e contratos de longo prazo
Um dos diferenciais apontados pela corretora é a utilização de fundos exclusivos para deter parte dos empreendimentos. Essa formatação traz maior flexibilidade para negociações e pode gerar eficiência tributária, reduzindo custos com impostos como o ITBI em determinadas operações corporativas.
Além disso, o portfólio apresenta ocupação integral e forte presença de contratos atípicos, que respondem por 88% da receita contratada. Com prazo médio ponderado de 9,33 anos e reajustes atrelados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a estrutura garante maior previsibilidade de caixa para os investidores ao longo do tempo.
Concentração de inquilinos e pontos de atenção
Apesar do otimismo com a tese de investimentos, a XP destacou como principal risco a concentração de receita nos três maiores inquilinos do fundo, que somam 73% do total. O Grupo Carrefour/Atacadão lidera a fatia com 41%, seguido por BAT/Souza Cruz (19%) e Grupo Pão de Açúcar (GPA) (13%).
A situação do GPA, que solicitou recuperação extrajudicial para renegociar dívidas, entrou no radar dos analistas. Contudo, a corretora avaliou que a medida não deve comprometer o GARE11, visto que os contratos são atípicos, possuem multas rescisórias e seguem adimplentes, preservando os pagamentos previstos até o vencimento entre 2038 e 2041.
O mercado financeiro segue acompanhando os desdobramentos e as projeções de dividend yield estimadas em 11,4% para os próximos doze meses. Continue acompanhando o ConexRS para se manter atualizado sobre os principais fatos da economia, investimentos e o cenário nacional com análises aprofundadas e compromisso com a informação de qualidade.
Fonte: seudinheiro.com

