De fenômeno no Instagram a marca global: como a BOOM Fit quer exportar o fitness brasileiro

De fenômeno no Instagram a marca global: como a BOOM Fit quer exportar o fitness brasileiro

Economia

O que começou como uma série de vídeos despretensiosos no Instagram, gravados pelo personal trainer Ricardo Lapa, transformou-se em um dos maiores ecossistemas de bem-estar do país. A antiga Academia Foguete, rebatizada em março deste ano como BOOM Fit Club, consolidou-se como uma espécie de “academia EAD” e agora prepara um movimento ambicioso: levar o jeito brasileiro de treinar para o mercado internacional.

Com uma base que já ultrapassou a marca de 500 mil alunos ao longo de sua trajetória, a plataforma opera atualmente em 82 países. O plano de expansão para os próximos anos é robusto, com investimentos previstos na casa dos R$ 20 milhões até o final de 2027. Para o CEO da companhia, Stelio Belchior, a mudança de nome foi um passo fundamental para desvincular a marca de uma identidade puramente local e prepará-la para o cenário global.

A ascensão do modelo digital e a transição de marca

A trajetória da empresa ganhou tração durante a pandemia de covid-19, período em que o consumo de conteúdos digitais de saúde disparou. Ricardo Lapa, que já possuía uma audiência engajada, estruturou a operação de forma profissional, alcançando o topo das vendas na plataforma Hotmart na América Latina. A entrada de Stelio Belchior, ex-diretor do grupo Bodytech, trouxe a expertise corporativa necessária para escalar o negócio.

A transição de “Academia Foguete” para “BOOM Fit” foi um processo de seis meses. Segundo a gestão, o nome original, embora popular no Brasil, apresentava barreiras de registro e compreensão no exterior. A nova identidade visual, que aposta em tons de verde e amarelo neon, busca evocar a brasilidade, mantendo a energia que se tornou a marca registrada dos treinos oferecidos pela plataforma.

O diferencial competitivo do tempero brasileiro

A estratégia da BOOM Fit para conquistar o público estrangeiro não é competir com as gigantes americanas do setor através de métodos tradicionais, mas sim apostar no que a empresa chama de “borogodó”. A proposta é vender uma experiência de treino que mistura alta intensidade com a descontração típica do Brasil, incluindo trilhas sonoras que variam entre funk, pagode e sertanejo.

Para superar a barreira do idioma, a empresa está investindo pesado em tecnologia. O uso de inteligência artificial para tradução simultânea das aulas ao vivo é a aposta central para viabilizar a expansão. A previsão é que as transmissões em inglês e espanhol comecem ainda em setembro, permitindo que a energia dos professores brasileiros seja mantida, mas com acessibilidade global.

Integração entre o digital e o físico

A BOOM Fit também encontrou uma forma criativa de ocupar espaços físicos sem os custos de uma operação imobiliária própria. Através de parcerias com redes de academias, como a Selfit, a plataforma transmite suas aulas ao vivo diretamente nos telões das salas coletivas. Esse modelo soluciona uma dor latente do setor: a dificuldade de encontrar e manter professores qualificados para todas as modalidades em todas as unidades.

Além disso, a empresa atua como um hub para influenciadores fitness menores, que perderam espaço após a saturação dos “desafios de 21 dias”. Ao oferecer a plataforma como um produto para que esses profissionais revendam para suas próprias comunidades, a BOOM Fit cria uma rede de microcomunidades, expandindo seu alcance de forma orgânica e capilarizada.

Com planos que variam de R$ 49 a R$ 99 mensais, a empresa busca democratizar o acesso ao fitness de alta performance, rompendo as limitações geográficas e de infraestrutura das academias convencionais. O Conexrs segue acompanhando os próximos passos dessa expansão, trazendo sempre análises sobre como o empreendedorismo brasileiro está transformando mercados tradicionais através da tecnologia e da inovação.

Fonte: seudinheiro.com