
O intercâmbio comercial entre Brasil e China atingiu patamares recordes no primeiro semestre deste ano, consolidando o país asiático como o principal parceiro estratégico da economia brasileira. Dados recentes revelam que as exportações nacionais para o mercado chinês cresceram 22% em comparação ao mesmo período de 2025, alcançando a marca de US$ 58,3 bilhões. Esse desempenho robusto foi impulsionado, majoritariamente, pelo aumento expressivo nas remessas de petróleo bruto e carne bovina.
O saldo positivo das transações, que somou US$ 19,8 bilhões, representa quase metade de todo o superávit comercial brasileiro no período. Enquanto as exportações avançaram com força, as importações brasileiras de produtos chineses também registraram alta de 8%, totalizando US$ 38,5 bilhões. Esse fluxo de entrada é marcado, sobretudo, pela rápida expansão da presença de veículos eletrificados no mercado nacional.
O papel estratégico do petróleo no cenário global
A dinâmica do comércio bilateral foi profundamente alterada por tensões geopolíticas. O conflito no Oriente Médio, que afetou o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, forçou a China a buscar fontes alternativas de suprimento de energia. Como resultado, o Brasil emergiu como um fornecedor fundamental, registrando um salto de 62% no valor das exportações de petróleo para os chineses entre maio e junho de 2026, em relação ao ano anterior.
Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), aponta que o Brasil se tornou um pilar estratégico para Pequim. “A parada no tráfego pelo Estreito de Ormuz tem consequências diretas, já que metade das importações de petróleo da China passa por aquela região”, explica. O Rio de Janeiro destaca-se como o principal estado exportador nesse setor, sendo responsável por 23,3% de todas as vendas brasileiras para o país asiático no período.
Oscilações no setor de carnes
O mercado de proteínas também viveu um semestre de números expressivos, embora cercado por cautela. As exportações de carne bovina para a China dispararam 50%, totalizando US$ 4,8 bilhões. Contudo, o cenário para o segundo semestre é de incerteza. A implementação de novas barreiras tarifárias, que elevam impostos sobre volumes excedentes, pode reduzir a competitividade do produto brasileiro, forçando frigoríficos a buscarem novos destinos ou o abastecimento do mercado interno.
Por outro lado, o setor de carne de frango apresentou uma recuperação significativa. Após um período de suspensão das importações em 2025 devido a um caso isolado de gripe aviária no Rio Grande do Sul, as vendas voltaram a crescer. No primeiro semestre, o faturamento com o frango brasileiro enviado à China somou US$ 772 milhões, um incremento de 43% frente ao ano anterior.
A ascensão dos veículos eletrificados
No fluxo de importações, a mudança no perfil de consumo brasileiro é evidente. A entrada de veículos eletrificados fabricados na China quadruplicou, refletindo uma tendência global de eletrificação da frota e a agressiva estratégia de expansão das montadoras chinesas no Brasil. Esse movimento, somado à demanda por semicondutores, sustenta o crescimento das importações brasileiras, mesmo diante de um cenário de maior cautela com o câmbio e a política industrial.
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Fonte: infomoney.com.br
