Bastidores do STF revelam planejamento de Mendonça para afastar diretor da Polícia Federal

Bastidores do STF revelam planejamento de Mendonça para afastar diretor da Polícia Federal

Política

A decisão de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não foi um movimento repentino, mas o desfecho de um processo de desgaste que se arrastava há cerca de um mês. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, já articulava a possibilidade de remover o chefe da corporação, sob alegações de que a PF estaria agindo com viés político para proteger a gestão do presidente Lula (PT).

Articulação e tensões nos bastidores do Supremo

A crise atingiu um ponto crítico no início de agosto. Em uma conversa reservada, Mendonça sinalizou ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que a medida drástica de afastamento poderia ser necessária. O magistrado sustentava a tese de que a cúpula da Polícia Federal estaria atuando para blindar aliados do governo, o que, na sua visão, comprometia a isenção das investigações.

O cenário, contudo, era de desconfiança mútua. Andrei Rodrigues, por sua vez, relatou a Fachin a percepção de que Mendonça conduzia inquéritos sensíveis — como os casos Master e INSS — com o objetivo de desgastar figuras ligadas à esquerda, enquanto demonstraria benevolência com aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL). Essa troca de acusações colocou o STF em uma posição delicada de mediação.

O papel de Fachin e a tentativa de pacificação

O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu o papel de articulador para evitar que o conflito institucional escalasse. Ele manteve diálogos frequentes com Mendonça e promoveu reuniões com o diretor-geral da PF e com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva. Interlocutores descreveram esses encontros como tentativas de “aparar arestas” e preservar a estabilidade das instituições.

Mesmo com a intermediação do advogado-geral da União, Jorge Messias, que chegou a organizar uma reunião para uma possível trégua, o mal-estar persistiu. Mendonça mantinha críticas contundentes à celeridade das apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, enquanto a PF via com preocupação as solicitações do ministro para acessar o acervo bruto de provas, o que, segundo a corporação, feriria a autonomia investigativa.

Impactos regimentais e o relatório de Moraes

A crise expôs fragilidades na estrutura de assessoramento dos ministros. O decano da Corte, Gilmar Mendes, propôs formalmente uma alteração no regimento interno do STF para vedar a cessão de servidores das carreiras policiais para atuar em gabinetes de ministros. A medida visa evitar que delegados participem diretamente da instrução de inquéritos ou de assessoramento jurídico, mitigando conflitos de interesse.

O ponto de ruptura definitiva ocorreu na última semana, quando o ministro Alexandre de Moraes apresentou um relatório apontando que Mendonça teria incorrido em abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O documento serviu como o selo final para a decisão de afastar o diretor da PF, transformando o impasse em uma crise aberta no Judiciário. Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes sobre o cenário político nacional, continue acompanhando o Conexrs, seu portal de referência para uma cobertura jornalística séria e contextualizada.

Fonte: redir.folha.com.br