STF inicia julgamento histórico sobre investigação de Alexandre de Moraes

STF inicia julgamento histórico sobre investigação de Alexandre de Moraes

Justiça

Pela primeira vez na história do Supremo Tribunal Federal (STF), uma sessão foi convocada para avaliar a abertura de uma investigação criminal contra um de seus ministros, Alexandre de Moraes. O julgamento teve início nesta terça-feira (15), às 10h35, e marca um momento significativo na relação entre os membros da Corte e a necessidade de transparência nas suas ações.

O plenário do STF está analisando um relatório da Polícia Federal (PF) que sugere vínculos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, que foi proprietário do Banco Master. A sessão extraordinária foi convocada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, em meio a um clima de tensão e expectativa.

Contexto da investigação

O relatório que trouxe à tona as menções a Moraes foi revelado no dia 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça decidiu levantar o sigilo sobre o documento. Essa ação desencadeou uma crise institucional sem precedentes, com a troca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigação entre os ministros. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a Fachin a anulação do relatório, alegando que a investigação foi conduzida de forma irregular por Mendonça, que não comunicou o plenário ou a presidência da Corte sobre o avanço das apurações.

A PGR argumenta que essa situação pode indicar um direcionamento por parte de Mendonça. Curiosamente, o nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também aparece nas mensagens que a PF afirma terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes, o que adiciona uma camada de complexidade ao caso.

O que diz a Constituição

A Constituição Federal e o Regimento Interno do STF estabelecem que apenas o plenário da Corte pode processar e julgar um de seus membros. No entanto, os textos não especificam claramente os procedimentos a serem seguidos nesse tipo de situação. Antes de decidir sobre a regularidade do relatório, os ministros precisam resolver questões preliminares, como o quórum necessário para o julgamento. Além de Moraes e Mendonça, o ministro Dias Toffoli também está presente na sessão.

Em abril deste ano, Toffoli se declarou suspeito para julgar qualquer questão relacionada ao caso Master, afastando-se do processo após surgirem indícios de suas ligações com Vorcaro.

Conteúdo do relatório

O relatório apresentado por Mendonça contém 52 mensagens que, segundo os investigadores, foram enviadas por Vorcaro a Moraes. Essas mensagens indicam uma relação próxima entre o ex-banqueiro e o ministro. Em uma das conversas, Vorcaro menciona ter enviado um contrato de R$ 131 milhões do Banco Master para a consideração de Moraes, que é casado com a advogada Viviane Barci de Moraes, responsável pelo escritório mencionado.

Em outra mensagem, Vorcaro busca informações sobre uma operação iminente que poderia resultar em sua prisão. A PF afirma que essas comunicações ocorreram entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.

Na defesa apresentada na manhã do dia 15, Moraes negou qualquer irregularidade e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.

Procedimentos da sessão

O ministro Edson Fachin iniciou a sessão com as saudações habituais a todos os presentes. Em seguida, ele chamou o processo para julgamento e fez a leitura do relatório. A palavra foi dada à Procuradoria-Geral da República, que apresentou seus argumentos. Após a manifestação da PGR, a votação será iniciada.

Para acompanhar a sessão ao vivo, os interessados podem acessar a transmissão disponível online.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br