Como pequenas empresas podem adotar inteligência artificial e aumentar a produtividade

Como pequenas empresas podem adotar inteligência artificial e aumentar a produtividade

Economia

A inteligência artificial (IA) tem sido um tema recorrente no mundo dos negócios, mas sua adoção entre pequenas e médias empresas (PMEs) ainda é incipiente. Se você se sente excluído desse movimento, saiba que essa sensação é compartilhada por muitos empresários. Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apenas 17% das empresas brasileiras com dez ou mais funcionários utilizavam IA em 2025, um aumento modesto em relação aos 13% registrados em 2024.

Entre as pequenas empresas, que contam com 10 a 49 funcionários, a adoção de IA cresceu de 10% para 15%. Esses números indicam que, embora a implementação ainda seja baixa, a diferença entre pequenas e grandes empresas está diminuindo, com 50% das empresas com 250 ou mais funcionários já utilizando a tecnologia.

Identificando desperdícios: onde a IA pode ajudar?

Para as PMEs que desejam integrar a IA em suas operações, o primeiro passo é entender que não é necessário desenvolver um sistema complexo. A tecnologia pode ser utilizada para simplificar processos e economizar tempo. Alexandre Giraldi, consultor do Sebrae-SP, destaca que muitas pequenas empresas enfrentam gargalos operacionais devido à falta de padronização e à centralização de funções em uma equipe reduzida.

Os empreendedores costumam acumular funções, como atendimento ao cliente, vendas e gestão financeira, o que resulta em processos descentralizados em e-mails, WhatsApp e planilhas. Essa realidade abre espaço para a aplicação de soluções de IA que podem automatizar tarefas repetitivas, como:

  • Responder perguntas frequentes;
  • Confirmar agendas;
  • Enviar lembretes;
  • Atualizar cadastros;
  • Elaborar relatórios.

Por exemplo, em um escritório de advocacia, a IA pode ajudar a organizar e resumir documentos, enquanto uma clínica de saúde pode utilizá-la para confirmar consultas e se comunicar com pacientes, sempre respeitando as normas de proteção de dados.

Focando no problema, não na ferramenta

Um erro comum entre os empresários é escolher a tecnologia antes de identificar o problema que desejam resolver. Giraldi recomenda que o foco inicial seja mapear os processos e identificar aqueles que são repetitivos e previsíveis. Tarefas que se repetem frequentemente são as mais indicadas para automação.

Para quem está começando, a abordagem deve ser gradual. Na área administrativa, por exemplo, a organização de documentos e a extração de dados podem ser iniciadas com a ajuda da IA. No setor financeiro, a conciliação bancária e a classificação de despesas são áreas onde a tecnologia pode reduzir o trabalho manual.

Além disso, no setor comercial, a IA pode ser utilizada para acompanhar oportunidades e realizar follow-ups de propostas, evitando que elas sejam esquecidas. É importante ressaltar que não é necessário ter todos os processos perfeitos antes de iniciar a implementação da tecnologia.

Estabelecendo uma linha de base antes da implementação

Antes de automatizar qualquer processo, é fundamental que a empresa tenha indicadores claros de desempenho. Giraldi sugere que as empresas estabeleçam uma “linha 0” para medir o tempo e os recursos atualmente necessários para executar as tarefas. Isso pode incluir o tempo gasto na classificação de e-mails, no processamento de documentos e na resposta a clientes.

Ivy Cristiny, mentora de negócios, enfatiza a importância de monitorar os processos antes, durante e após a implementação da IA. Isso permite que a empresa compare o cenário anterior com o posterior e analise os custos envolvidos. É essencial estar atento ao consumo de créditos ou tokens das ferramentas de IA, evitando o uso indiscriminado em tarefas que poderiam ser realizadas de forma mais simples.

A supervisão humana é essencial

Outro aspecto crucial a ser considerado é a confiabilidade das respostas geradas pela IA. Ivy alerta que nenhuma tarefa realizada por IA deve ser feita sem supervisão humana. A chamada “alucinação” da IA, onde respostas incorretas são apresentadas como verdadeiras, pode ter consequências sérias em áreas como advocacia e saúde.

Giraldi também ressalta a importância de não confiar cegamente nas respostas da IA. É fundamental definir quem será responsável pela revisão das informações e manter a equipe envolvida durante o processo de implementação.

Cuidado com os dados dos clientes

Para negócios que lidam com informações sensíveis, como dados fiscais e de saúde, a segurança e a privacidade são prioridades. Giraldi recomenda anonimizar dados sempre que possível e evitar inserir informações sensíveis em ferramentas sem uma avaliação prévia. As empresas devem estar atentas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para garantir a segurança das informações dos clientes.

IA na prática: como começar?

Para iniciar a implementação da IA, as empresas podem seguir algumas etapas:

  1. Atendimento: Mapeie as dúvidas mais frequentes e comece a usar uma ferramenta de IA para criar respostas. Se o volume justificar, considere implementar um chatbot para automatizar o atendimento.
  2. Financeiro: Escolha uma tarefa repetitiva, como a classificação de despesas. Ferramentas como ChatGPT podem ajudar a organizar dados e gerar textos de cobrança.

Essas etapas iniciais podem ajudar as pequenas empresas a adotar a IA de maneira gradual e eficiente, aumentando a produtividade e melhorando a gestão de processos.

Fonte: seudinheiro.com