Braskem enfrenta pressão de credores e questionamentos do Ministério Público

Braskem enfrenta pressão de credores e questionamentos do Ministério Público

Economia

A Braskem (BRKM5) está no centro de um intenso debate financeiro e legal enquanto busca reestruturar US$ 11 bilhões em dívidas. O processo de recuperação extrajudicial da gigante petroquímica, que envolve principalmente investidores estrangeiros detentores de bonds emitidos no exterior, enfrenta resistência não apenas dos credores, mas também do Ministério Público de São Paulo.

Exigências dos credores e o papel dos acionistas

Os credores da Braskem estão pressionando os acionistas controladores, Petrobras e IG4, a realizarem aportes bilionários na empresa. De acordo com informações da Bloomberg, esses credores exigem que os controladores se comprometam com novos investimentos, enquanto eles mesmos não estão dispostos a injetar mais capital. Uma proposta anterior da Braskem sugeria que os credores colocassem US$ 2 bilhões para recomprar dívidas e melhorar o capital de giro, mas essa ideia não foi bem recebida.

Intervenção do Ministério Público

O Ministério Público de São Paulo recomendou a suspensão de novos aportes e desembolsos relacionados à Braskem Idesa, subsidiária da empresa no México, que entrou com pedido de Chapter 11 nos Estados Unidos. A promotoria não encontrou indícios de esvaziamento do patrimônio, mas considera que o risco justifica uma medida cautelar para suspender temporariamente as operações financeiras.

Desafios na reestruturação financeira

Desde que protocolou sua recuperação extrajudicial em agosto, a Braskem conseguiu adesão de apenas 39,6% dos credores. A empresa tem até 22 de novembro para apresentar um plano de recuperação atualizado, que pode incluir a correção e alongamento da dívida, aportes dos acionistas e possível capitalização de parte dos créditos. A Braskem busca evitar que o processo evolua para uma recuperação judicial, o que poderia complicar ainda mais sua situação.

OPA e a posição dos acionistas

Além dos desafios financeiros, a Braskem está se preparando para uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) que o fundo Shine I FIP deverá realizar para os acionistas minoritários. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já aprovou o registro da oferta, embora ainda não haja data ou valor por ação definidos. A Petrobras detém 47,03% do capital votante e 36,15% do capital total da empresa, enquanto outros 2,86% do capital votante e 29,35% do capital total estão em negociação no mercado.

Perspectivas e desafios futuros

Analistas do UBS BB destacam que a Braskem enfrenta um cenário desfavorável no mercado petroquímico, além de uma estrutura financeira que exige soluções robustas. Estima-se que a empresa precise reduzir sua dívida líquida em cerca de US$ 6 bilhões a US$ 6,5 bilhões para alcançar níveis sustentáveis de alavancagem e geração de caixa. Possíveis soluções incluem a conversão de dívida em ações, descontos sobre a dívida e injeção de capital.

A situação da Braskem é complexa e requer acompanhamento atento dos desdobramentos. Continue acompanhando o ConexRS para mais atualizações sobre este e outros temas relevantes.

Fonte: seudinheiro.com