O mercado brasileiro de soja iniciou esta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, sob um clima de cautela e baixa liquidez. Nas principais praças produtoras do país, o cenário foi de estabilidade com viés de oscilação, refletindo a postura defensiva dos agricultores, que optaram por segurar os estoques em busca de patamares de preços mais atrativos para a comercialização de novos volumes.
Reflexos da bolsa de Chicago e do câmbio
A dinâmica do dia foi fortemente influenciada pelo comportamento externo. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, o mercado interno sentiu o impacto dos recuos registrados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), somado à pressão sobre os prêmios. Contudo, a valorização expressiva do dólar comercial, que fechou o dia cotado a R$ 5,1684, atuou como um contrapeso, limitando quedas mais acentuadas nas cotações domésticas.
A falta de reporte de negócios firmes reforça a percepção de um mercado travado. O produtor rural, atento às movimentações globais, mantém uma estratégia de espera, evitando fechar contratos enquanto não houver uma sinalização mais clara de tendência ou uma melhora nas ofertas disponíveis no mercado físico.
Expectativa por negociações entre EUA e China
O cenário internacional permanece sob tensão, com os operadores focados na reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, agendada para esta quinta-feira, 24. A expectativa é que o encontro possa definir novos rumos para o comércio agrícola, especialmente no que tange a possíveis compras chinesas de soja norte-americana e a eventual remoção da tarifa de importação de 10% sobre o grão.
O mercado opera com cautela, processando as informações sobre o potencial de anúncios favoráveis aos preços. Recentemente, a estatal chinesa Sinograin movimentou o setor ao realizar seu segundo leilão de grande escala no mês de setembro, comercializando mais de 500 mil toneladas de soja importada, o que mantém o radar dos investidores ligado aos próximos passos da demanda asiática.
Fechamento dos contratos futuros
Na sessão de quarta-feira, os contratos futuros da soja com entrega em novembro encerraram com baixa de 7,50 centavos de dólar, ou 0,56%, cotados a US$ 13,18 por bushel. A posição para janeiro seguiu a mesma tendência, fechando a US$ 13,33 3/4 por bushel, com retração de 0,55%.
Os subprodutos também acompanharam o movimento de desvalorização. O farelo de soja, para vencimento em dezembro, fechou com leve queda de 0,02%, a US$ 370,60 por tonelada. No mercado de óleo, os contratos de dezembro encerraram a 67,81 centavos de dólar, registrando uma perda de 0,16%.
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Fonte: canalrural.com.br
