O início da safra 2026/2027 de soja traz consigo um alerta importante para os produtores brasileiros: o gerenciamento rigoroso de pragas e doenças. Com o avanço das lavouras pelo país, a pressão de patógenos e insetos ganha força, exigindo que o monitoramento deixe de ser uma tarefa secundária para se tornar o pilar central da estratégia de produtividade no campo.
Condições climáticas específicas, como períodos de alta umidade, criam o ambiente ideal para a proliferação de ameaças que, se não controladas precocemente, podem comprometer severamente o potencial produtivo das plantas. Entre os principais alvos de atenção estão a ferrugem-asiática, o mofo-branco, a mancha-alvo e a mosca-branca, que demandam um manejo técnico apurado e preventivo.
Ferrugem-asiática e a importância do vazio sanitário
Considerada um dos maiores riscos para a cultura da soja, a ferrugem-asiática continua sendo uma preocupação constante. A pesquisadora da Embrapa, Claudine Seixas, reforça que a principal ferramenta de controle ainda é o vazio sanitário, período de pelo menos 90 dias sem plantas vivas de soja no campo.
Ao eliminar o hospedeiro, o produtor consegue interromper o ciclo do fungo, reduzindo drasticamente a quantidade de inóculo disponível para o início da safra. Esse atraso na infecção é estratégico, pois permite reduzir o número de aplicações de fungicidas e mitiga o risco de perdas acentuadas, garantindo que o manejo durante o ciclo seja mais eficiente e menos oneroso.
Mofo-branco e a persistência no solo
O mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, apresenta um desafio singular devido à sua capacidade de sobrevivência prolongada no solo. Com uma ampla gama de hospedeiros, incluindo algodão e feijão, o patógeno já infesta cerca de 10 milhões de hectares em áreas de produção de soja no Brasil.
O controle exige uma abordagem integrada. Não basta apenas o uso de fungicidas; é necessário adotar práticas que alterem as condições favoráveis ao fungo na lavoura. O manejo deve ser contínuo, visando reduzir a pressão da doença ao longo dos anos, dado que o fungo pode permanecer viável por longos períodos, tornando a erradicação um objetivo complexo.
Mancha-alvo e o manejo de resistência
A mancha-alvo tem registrado um aumento preocupante de incidência e severidade. Segundo o pesquisador da Embrapa Soja, Maurício Meyer, o fungo Corynespora cassiicola é favorecido por temperaturas entre 20 °C e 30 °C e chuvas frequentes. O cenário é agravado pela resistência do patógeno a certos fungicidas, o que exige cautela no uso de insumos.
A estratégia recomendada envolve a rotação de culturas para diminuir o inóculo e a escolha criteriosa de cultivares menos suscetíveis. No controle químico, a rotação de produtos com diferentes mecanismos de ação é indispensável para preservar a eficácia das tecnologias disponíveis e evitar que a doença se torne incontrolável.
Monitoramento intensivo contra a mosca-branca
Além das doenças, as pragas sugadoras, como a mosca-branca (Bemisia tabaci), exigem vigilância desde os primeiros estádios. Germison Tomquelski, da Desafios Agro, alerta que a safra atual pode apresentar alta pressão da praga, especialmente em anos influenciados pelo fenômeno El Niño, que acelera o ciclo biológico dos insetos.
O monitoramento deve focar nas bordaduras, onde os adultos costumam chegar primeiro. A utilização de lupas para identificar ninfas nos folíolos permite uma intervenção rápida antes que a infestação se torne generalizada. O controle precoce é vital, pois a mosca-branca não apenas drena a seiva, mas também favorece a fumagina e transmite viroses, comprometendo a fotossíntese e a saúde geral da planta.
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Fonte: canalrural.com.br
