Skyfit desafia hegemonia da Smart Fit e aposta em estúdios para atingir R$ 1 bilhão

Skyfit desafia hegemonia da Smart Fit e aposta em estúdios para atingir R$ 1 bilhão

Economia

O mercado de academias no Brasil vive um momento de transformação acelerada, impulsionado pela busca por experiências personalizadas e modalidades de nicho. Enquanto as grandes redes de musculação consolidaram o modelo low cost, o setor agora volta suas atenções para os chamados estúdios de bem-estar, ou wellness. Segundo dados do Wellhub, 80% dos empreendedores da área reconhecem a necessidade de diversificar as atividades oferecidas para sustentar o crescimento nos próximos anos.

Neste cenário, a SkyFit, segunda maior rede do país em número de unidades, surge como uma das principais desafiantes da Smart Fit (SMFT3). Com uma base de 1 milhão de alunos e 370 unidades franqueadas, a empresa desenha uma estratégia agressiva para alcançar a marca de R$ 1 bilhão em faturamento. Sob o comando de Caio Peres, ex-executivo da XP Investimentos, a rede busca reposicionar sua marca, deixando de ser apenas uma academia de musculação para se tornar uma infraestrutura de saúde e bem-estar em escala nacional.

A trajetória de crescimento e a influência do mercado financeiro

Fundada em 2020 por Bruno Berardo e Everton Carvalho, em Americana, interior de São Paulo, a SkyFit iniciou sua operação com apenas cinco unidades próprias. O salto de escala, contudo, veio com a adoção do modelo de franquias, que hoje permite a inauguração de 10 a 15 novas unidades mensalmente. A empresa já está presente em 22 estados brasileiros e possui outras 120 unidades em desenvolvimento.

A chegada de Caio Peres à presidência, em março deste ano, marcou uma mudança de cultura na gestão. Com um grupo de investidores, Peres assumiu a operação em uma transação avaliada em R$ 400 milhões, conforme apontado em relatório do BTG Pactual. A nova liderança trouxe consigo uma equipe composta por ex-funcionários da XP Investimentos, ocupando cargos estratégicos nas áreas de tecnologia, finanças e engenharia. O objetivo é claro: aplicar a expertise de gestão e escala do mercado financeiro para fortalecer a rede franqueadora.

Diversificação de modelos e o público premium

Embora o modelo tradicional de musculação, com tíquete médio de R$ 149, continue sendo o carro-chefe, a SkyFit tem diversificado seu portfólio para atender diferentes faixas de renda. A rede introduziu formatos como a SkyFit CT, com mensalidade média de R$ 200, e a SkyFit Concept, voltada ao público premium, com valor de R$ 400. A estratégia visa capturar uma fatia maior do mercado, considerando que apenas 7% da população adulta brasileira frequenta academias, um índice significativamente inferior aos 20% registrados nos Estados Unidos.

O investimento para abrir uma unidade varia conforme o modelo. Enquanto a SkyFit padrão exige entre R$ 900 mil e R$ 1,3 milhão, os formatos mais sofisticados, como o Concept, podem demandar até R$ 2,7 milhões. Segundo a companhia, a aposta em segmentos de maior valor agregado é uma resposta direta ao potencial inexplorado do setor fitness no país.

Aposta no Hyrox e a expansão dos estúdios

A mais nova frente de expansão da rede é o Hyrox, modalidade de fitness racing que combina corrida e exercícios funcionais. Para viabilizar essa entrada, a SkyFit adquiriu os direitos da NXT House, pioneira na introdução do esporte no Brasil em 2024. A modalidade, que nasceu na Alemanha em 2017, apresenta um tíquete médio superior, girando em torno de R$ 500 por aluno.

A movimentação coloca a SkyFit em rota de colisão com a Smart Fit, que já domina o segmento de estúdios por meio da plataforma BEON Studios. A expectativa da SkyFit é inaugurar três unidades de Hyrox até o final de 2026, com a meta de alcançar 100 franquias da modalidade nos próximos três anos. Além disso, a empresa investe em tecnologia, como sistemas de transcrição de áudio via inteligência artificial na recepção, para otimizar o atendimento e a conversão de vendas.

O ConexRS segue acompanhando os movimentos das grandes redes de academias e o impacto dessas estratégias no mercado de bem-estar brasileiro. Continue conosco para mais análises sobre os setores que movimentam a economia nacional e as tendências que moldam o comportamento do consumidor.

Fonte: seudinheiro.com