Vale registra queda de 35% no lucro do 2T26, mas mantém distribuição de R$ 8,64 bilhões

Economia

A Vale (VALE3) apresentou seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2026 sob a pressão de um cenário macroeconômico desafiador. Embora a mineradora tenha alcançado sua maior produção para um segundo trimestre desde 2018, o lucro líquido atribuível aos acionistas recuou 35% na comparação anual, somando US$ 1,375 bilhão. O resultado ficou abaixo das projeções de mercado, que estimavam cerca de US$ 1,95 bilhão, refletindo o impacto direto da volatilidade global nos custos operacionais.

O desempenho financeiro da companhia foi afetado por uma combinação de fatores, incluindo perdas na marcação a mercado de derivativos, um aumento na carga tributária e o reconhecimento de provisões não recorrentes. A instabilidade geopolítica, marcada pelo conflito no Oriente Médio, elevou os preços do petróleo e, consequentemente, encareceu o frete marítimo, pressionando as margens da mineradora em um momento de alta produtividade.

Pressão nos custos e revisão de projeções

O Ebitda ajustado da Vale avançou 9% na base anual, totalizando US$ 3,6 bilhões, impulsionado pela valorização das commodities, como minério de ferro e cobre. Contudo, o aumento dos custos de produção, exacerbado pela valorização do real frente ao dólar e pela alta do bunker, neutralizou parte desses ganhos. O custo caixa C1, que mede a despesa da mina ao porto, subiu 9%, enquanto o custo all-in registrou um salto de 18%.

Diante dessa conjuntura, a empresa revisou para cima seu guidance de custos para 2026. A nova estimativa para o custo caixa C1 passou para a faixa de US$ 22,50 a US$ 23,50 por tonelada. A companhia baseou suas projeções em um câmbio médio de R$ 5,13 por dólar e no preço do barril de petróleo Brent cotado a US$ 86, sinalizando cautela quanto à persistência dos preços elevados dos insumos energéticos.

Expansão estratégica em metais básicos

Em meio às dificuldades no setor de minério de ferro, a divisão de metais básicos consolidou-se como um pilar de crescimento. O segmento registrou um avanço de 79% no Ebitda ajustado, com destaque para o cobre, que teve seu resultado operacional ampliado em 91%. A estratégia da Vale de reduzir a dependência do minério de ferro e ampliar a exposição a minerais essenciais para a transição energética parece ganhar tração, com revisões positivas nas metas de produção de cobre e níquel para o restante do ano.

Retorno aos acionistas e alocação de capital

Mesmo com a queda no lucro, a mineradora anunciou a distribuição de R$ 8,64 bilhões em proventos, entre juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos. O pagamento, previsto para 2 de setembro, representa um valor bruto de R$ 2,030721898 por ação. Para ter direito, o investidor deve manter os papéis em carteira até o fechamento do pregão de 11 de agosto na B3.

Além dos proventos, o conselho de administração aprovou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações ordinárias, equivalente a 2,3% do capital social. A iniciativa, com duração de 18 meses, visa otimizar a alocação de capital e sinalizar confiança na trajetória de longo prazo da companhia. A gestão da dívida também apresentou avanços, com a dívida líquida expandida recuando 4% na comparação anual, favorecida por uma geração de fluxo de caixa livre mais robusta.

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Fonte: seudinheiro.com