O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 enfrenta um fenômeno de apatia que desafia as lideranças tradicionais. Segundo a cientista política norte-americana Wendy Hunter, professora da Universidade do Texas e especialista na trajetória do Partido dos Trabalhadores (PT), tanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o principal nome da oposição, Flávio Bolsonaro (PL), falham em despertar entusiasmo genuíno no eleitorado.
O desgaste das figuras centrais e a busca por renovação
Para Hunter, autora de obras fundamentais sobre a transformação do PT, o país atravessa um momento de cansaço em relação à figura de Lula e à própria legenda. Embora o desempenho econômico recente apresente indicadores positivos, a percepção popular sobre o custo de vida e a falta de novas propostas estruturantes têm minado o apoio ao governo. A pesquisadora observa que o eleitorado, antes vinculado a pautas sindicais e ao regime CLT, hoje demonstra uma inclinação crescente pelo empreendedorismo, o que altera as bases de sustentação política tradicionais.
Do outro lado do espectro, a candidatura de Flávio Bolsonaro também é vista como insuficiente para mobilizar as massas. A brasilianista descreve a disputa como um embate entre “dois lados apagados”, onde a ausência de um projeto inspirador deixa o eleitor em um estado de desinteresse, sem que nenhum dos polos consiga capitalizar plenamente sobre a insatisfação alheia.
A persistência do antipetismo e o papel do Judiciário
O antipetismo, que historicamente definiu as últimas eleições, continua sendo um fator relevante, embora Hunter ressalte que ele não pode ser reduzido a estereótipos regionais ou de classe. O sentimento é alimentado por um discurso focado em mérito e trabalho, que ressoa em parcelas heterogêneas da população. Além disso, a crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal) gera um desgaste assimétrico: a associação pública entre o governo petista e o ministro Alexandre de Moraes acaba por penalizar mais a imagem de Lula do que a de seus opositores.
Instituições e o futuro democrático
Ao analisar os riscos de uma possível alternância de poder, a pesquisadora afasta a tese de que uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria um colapso democrático imediato. Ela aponta que o federalismo brasileiro e a própria dinâmica do Congresso Nacional funcionam como freios, já que os parlamentares teriam pouco a ganhar com soluções autoritárias. Contudo, Hunter faz um alerta importante: a continuidade de políticas sociais e os compromissos ambientais voltados à preservação da Amazônia seriam os pontos mais vulneráveis sob uma gestão bolsonarista.
A análise completa da especialista, que pode ser conferida em detalhes na Folha de S.Paulo, reforça que o pleito de 2026 se desenha como um desafio de mobilização. O ConexRS segue acompanhando o desenrolar das movimentações partidárias e as tendências do eleitorado, mantendo o compromisso de trazer uma cobertura aprofundada e contextualizada sobre os rumos do Brasil. Continue conosco para mais análises sobre os bastidores da política nacional.
Fonte: redir.folha.com.br

