A busca por financiamento no cenário econômico atual exige das empresas uma estratégia mais robusta de gestão de risco. Em um mercado onde a previsibilidade é desafiada por variáveis climáticas e oscilações de preços, a estruturação de garantias tornou-se um pilar fundamental para viabilizar o acesso ao capital. Dados recentes da Audax Capital revelam que 95% de suas operações de crédito privado contam com algum tipo de proteção, evidenciando uma mudança de postura na arquitetura financeira das companhias.
A estrutura das garantias no crédito privado
Diferente de modelos de crédito tradicionais, onde a garantia pode ser vista como um item acessório, a tendência atual é integrá-la ao desenho da operação desde a sua concepção. Na carteira da Audax, o uso de duplicatas figura como o principal ativo para lastrear os financiamentos, seguido de perto por imóveis. Outros instrumentos, como recebíveis, contratos, estoques e equipamentos, também são frequentemente mobilizados para compor o pacote de segurança do credor.
Para Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, a organização prévia do patrimônio e dos fluxos financeiros é o diferencial que permite às empresas apresentarem operações mais sólidas. Segundo o executivo, quando a garantia é pensada na arquitetura do crédito, ela deixa de ser apenas uma salvaguarda final e passa a ser parte integrante da viabilidade do negócio, permitindo condições mais competitivas para o tomador.
Contexto do Plano Safra e gestão de risco
O debate sobre a proteção de ativos ganha contornos de urgência diante da magnitude dos recursos circulantes no setor. O Ministério da Agricultura e Pecuária destinou R$ 525,1 bilhões ao Plano Safra 2026/27, sendo R$ 384,9 bilhões voltados a custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões foram reservados para investimentos. Esse volume expressivo de capital exige que tanto instituições financeiras quanto produtores estejam atentos aos mecanismos de mitigação de inadimplência.
No agronegócio, a volatilidade é uma constante. Fatores como a variação cambial, os custos de insumos e as condições climáticas impactam diretamente a receita. Por isso, a garantia atua como uma segunda camada de proteção. Ela não substitui a análise rigorosa da capacidade de pagamento do tomador, mas oferece uma alternativa de recuperação de capital caso o cenário projetado não se concretize conforme o esperado.
Projeções e desempenho do mercado
A trajetória da Audax Capital ilustra o aquecimento deste segmento. Com mais de R$ 10 bilhões movimentados ao longo de 11 anos de atuação, a empresa registrou um crescimento de 115% em 2025. Para o ano de 2026, a projeção é operacionalizar R$ 3,1 bilhões, o que representaria um avanço de 105% em relação ao período anterior, refletindo a demanda crescente por crédito estruturado.
Embora os números indiquem um mercado em expansão, especialistas reforçam que a garantia não elimina o risco inerente à atividade produtiva. O sucesso de uma operação de crédito privado depende de uma análise técnica apurada que considere a realidade do setor e a capacidade de resiliência das empresas diante de cenários adversos. A transparência na estruturação dos ativos, portanto, permanece como o melhor caminho para garantir a sustentabilidade do crédito no longo prazo.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br

