Desafio fiscal: o teste de fogo para o próximo presidente do Brasil

Desafio fiscal: o teste de fogo para o próximo presidente do Brasil

Economia

Independentemente do desfecho nas urnas, o próximo ocupante do Palácio do Planalto terá uma missão urgente e complexa: equilibrar as contas públicas sem asfixiar a atividade econômica ou pressionar ainda mais a trajetória dos juros. A avaliação consta na carta mensal da gestora Kinea, intitulada “Highlander, o guerreiro imortal”, que coloca o ajuste fiscal como o principal termômetro de confiança para o mercado financeiro nos próximos anos.

A urgência do ajuste e a estabilização da dívida

Para a gestora, o foco dos investidores está menos na figura política que assumirá o governo e mais no plano concreto de enfrentamento ao desequilíbrio fiscal. O cenário projetado para 2027 acende um alerta, uma vez que o Orçamento enviado ao Congresso prevê um superávit primário apenas simbólico, enquanto a dívida bruta permanece em patamares elevados, comparáveis aos picos registrados durante a pandemia.

Os cálculos da Kinea indicam que o país precisaria alcançar um resultado primário próximo de 2% do PIB para estabilizar a dívida e permitir uma redução consistente dos juros reais. O desafio, contudo, é agravado pela estrutura do orçamento, já que grande parte das despesas discricionárias está sob controle do Legislativo, limitando a margem de manobra do Executivo. A gestora ressalta que o novo governo herdará a responsabilidade pelo resultado fiscal sem deter o controle total sobre os gastos.

Cenários econômicos e a necessidade de medidas rápidas

A necessidade de ações efetivas é imediata. Como as medidas adotadas em 2027 precisam de aprovação no primeiro semestre para surtirem efeito, as articulações políticas deverão ocorrer antes mesmo da posse. No cenário base da gestora, um anúncio robusto de ajuste, equivalente a 1,5% do PIB, permitiria uma transição sem deterioração grave, com projeções de crescimento de 1% do PIB, inflação em 4,7% e Selic em 12,5% ao final de 2027.

Por outro lado, a ausência de um plano claro ou a adoção de políticas populistas pode elevar a percepção de risco, travando o ciclo de queda de juros. “Se atacar o fiscal primeiro, o próximo governo navegará melhor o restante do mandato e comprará tempo para endereçar os demais temas”, pontua a análise da Kinea.

O reflexo do cenário global e a cautela com tecnologia

O ambiente externo serve como espelho. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, voltou a elevar os juros após sinais de resiliência na economia americana, com inflação persistente e mercado de trabalho aquecido. Esse movimento impulsionou os Treasuries de 10 anos para patamares acima de 5%, um nível não visto em duas décadas, reforçando a aposta da gestora na força do dólar frente a moedas europeias.

No setor de tecnologia, a Kinea mantém cautela em relação à inteligência artificial. Embora o entusiasmo seja alto, a gestora aponta que o setor precisa provar sua capacidade de gerar receita. Para justificar as expectativas atuais, os principais laboratórios de IA precisariam elevar o faturamento anualizado de US$ 150 bilhões para US$ 450 bilhões até 2027, exigindo um crescimento sequencial de 25% por cinco trimestres consecutivos.

Estratégia de mercado e commodities

No Brasil, a gestora adotou uma posição tática comprada em bolsa, via ETF EWZ, apostando na possibilidade de um compromisso mais firme com o ajuste fiscal. No campo das commodities, o diesel permanece sob monitoramento devido aos impactos geopolíticos da guerra na Ucrânia e conflitos no Oriente Médio, que restringem a oferta global e pressionam os custos logísticos.

Para navegar neste período de incertezas, a casa mantém uma estratégia diversificada: exposição tática ao Brasil, posições aplicadas em juros, cautela com o setor de tecnologia e uma cesta de proteção que inclui ouro, cobre, petróleo e produtos agrícolas. Acompanhe o ConexRS para seguir por dentro das análises que movem a economia e os investimentos no Brasil e no mundo, com a credibilidade e o rigor que o seu planejamento financeiro exige.

Fonte: seudinheiro.com