Ônibus parados no 2º turno geram caos e pedidos de prisão no país

Ônibus parados no 2º turno geram caos e pedidos de prisão no país

Economia

O transporte público virou uma das principais frentes de tensão do segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (25). Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade após denúncias de redução da frota. Em São Paulo, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a prisão de dois gestores municipais, acusando-os de descumprir uma ordem para colocar todos os ônibus em circulação.

As medidas ocorreram em meio a relatos de pontos lotados, longas esperas e dificuldades para chegar aos locais de votação. A Justiça determinou que as frotas operassem integralmente, com frequência equivalente à dos dias úteis, e estabeleceu multas para pressionar pelo cumprimento das ordens.

Salvador: fiscalização encontra 370 ônibus parados

Na capital baiana, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com itinerários e frequência compatíveis com os dias úteis. A decisão também prevê transporte gratuito, multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento e fiscalização das garagens pela Polícia Federal.

O despacho, assinado às 13h15, determinou ainda a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza. Segundo a decisão, havia indícios de que a orientação para reduzir a frota partira da própria secretaria. A pressão sobre a operação aumentou após uma fiscalização do Procon da Bahia identificar 370 ônibus parados em garagens.

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), disse à Folha de S.Paulo que 75 ônibus ficaram temporariamente retidos em uma garagem durante a manhã porque sindicalistas teriam colado adesivos do PT nas janelas. Segundo ele, os veículos voltaram a circular após a retirada do material. Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) afirmou ter determinado a liberação de todos os coletivos.

Governo da Bahia oferece veículos para reforçar transporte

Diante dos problemas relatados, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou que veículos estaduais não requisitados pela Justiça Eleitoral poderiam ser usados para auxiliar no deslocamento de eleitores. A medida prevê vans e veículos das áreas de educação, saúde e administração pública.

O governador também afirmou que colocaria à disposição policiais militares habilitados para dirigir ônibus, caso necessário. Segundo ele, houve relatos de dificuldades em outros municípios baianos, como Santo Amaro da Purificação, Tremedal e Lauro de Freitas.

Rodrigues defendeu ainda a ampliação do horário de votação no estado por pelo menos uma hora, com possibilidade de chegar a uma hora e meia, para compensar os problemas de transporte.

Caos nos ônibus em São Paulo e pedido de prisão

Na capital paulista, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, pediu à 1ª Zona Eleitoral a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. A federação acusa os gestores de descumprir uma decisão judicial que determinou a circulação de toda a frota operacional prevista para dias úteis durante o segundo turno.

Segundo dados citados na ação, às 13h20 havia 9.892 ônibus em circulação, de uma frota de 13.790 veículos. Outros 3.898 permaneciam nas garagens, o equivalente a cerca de 28% do total. Os números foram atribuídos ao aplicativo de monitoramento Infobus, em informações divulgadas pelo Metrópoles.

A SPTrans, por sua vez, afirmou enfrentar dificuldades operacionais para cumprir a determinação em razão do prazo curto para reorganizar escalas e jornadas de trabalho. Segundo a empresa, a notificação judicial ocorreu na tarde de sábado (24), menos de 12 horas antes do início da operação. A prefeitura também contestou as denúncias de redução da frota.

Posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral

Os problemas no transporte levaram a campanha de Lula a preparar um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ampliar o horário de votação. O presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, reconheceu que havia dificuldades de transporte em algumas localidades, mas afirmou que a situação estava sendo corrigida.

“De fato, em alguns locais há uma dificuldade ainda com o transporte que já está sendo corrigido”, disse durante entrevista coletiva na sede do TSE. Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral havia organizado uma programação integrada com os tribunais regionais para garantir o deslocamento dos eleitores. Questionado especificamente sobre Salvador, não comentou o caso.