Uso de bioinsumos cresce 18,3% e atinge 46 milhões de hectares no Brasil

Uso de bioinsumos cresce 18,3% e atinge 46 milhões de hectares no Brasil

Agro

O setor agropecuário brasileiro consolidou uma mudança significativa em seu modelo produtivo durante o primeiro semestre de 2026. Dados recentes revelam que a área tratada com bioinsumos no país alcançou a marca de 46 milhões de hectares, um avanço de 18,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O movimento, que movimentou R$ 1,8 bilhão, reflete uma busca crescente por eficiência no manejo de pragas e maior sustentabilidade nas lavouras.

Expansão tecnológica e o papel dos biológicos no campo

A adoção dessas tecnologias não ocorre de forma isolada. O monitoramento realizado pelo portal CropData, da CropLife Brasil, indica que a utilização de produtos biológicos tem sido integrada às estratégias tradicionais de proteção de cultivos. Ao combinar soluções biológicas com defensivos químicos, os produtores conseguem ampliar o leque de ferramentas para o controle de pragas resistentes, otimizando a saúde do solo e a produtividade das safras.

Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, destaca que o crescimento da área coberta superou, em termos proporcionais, a valorização financeira do mercado. Esse fenômeno sugere que a tecnologia está se tornando mais acessível e capilarizada, sendo incorporada por um número maior de propriedades rurais que buscam alternativas para equilibrar custos e resultados operacionais.

Dinâmica de mercado e o impacto da safra 2026/27

O ritmo de comercialização dos bioinsumos segue rigorosamente o calendário agrícola brasileiro. O mês de junho de 2026 marcou um ponto de inflexão, com a aceleração das compras impulsionada pelo início do plantio da soja e pela preparação logística para a safra 2026/27. A demanda varia conforme a cultura e a fase de desenvolvimento das plantas, exigindo um planejamento preciso por parte dos agricultores.

Os bioinseticidas lideraram o desempenho comercial no primeiro semestre, movimentando R$ 858,2 milhões. O segmento foi responsável por 16,4 milhões de hectares tratados, representando cerca de 35% do total. Esse resultado foi fortemente influenciado pela demanda do milho de segunda safra, que exigiu soluções biológicas eficazes para o controle de insetos. Outras categorias, como bionematicidas, biofungicidas e inoculantes, mantêm uma curva de crescimento acentuada, com expectativa de alta demanda até o final do ano.

Regulação e o futuro das tecnologias biológicas

Apesar do avanço nas lavouras, o setor observa com atenção o cenário regulatório. Até setembro de 2026, o Brasil contabilizava 61 bioinsumos com registro ativo, segundo levantamento da consultoria Move Analytics junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O portfólio é composto majoritariamente por agentes microbiológicos, seguidos por macrobiológicos e bioquímicos.

O tempo médio para a concessão de novos registros, que gira em torno de 16 a 20 meses, tem sido um ponto de atenção para a indústria. Enquanto a adoção dessas tecnologias ganha velocidade no campo, a agilidade no processo de liberação de novos produtos é vista como um fator determinante para manter o ritmo de inovação e atender às crescentes exigências por uma produção mais sustentável e eficiente no Brasil.

O ConexRS segue acompanhando as transformações do agronegócio brasileiro, trazendo análises sobre as tendências que moldam o futuro da nossa economia e o papel da tecnologia no campo. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade sobre os temas que impactam o Brasil.

Fonte: portaldoagronegocio.com.br