O mercado brasileiro de feijão encerrou a última semana com preços firmes e um cenário de cautela entre os agentes da cadeia produtiva. O feijão carioca, principal variedade consumida no país, atingiu o patamar de R$ 360 por saca em negociações pontuais envolvendo produtos de alta qualidade. Paralelamente, o feijão preto mantém uma trajetória de valorização, testando a marca de R$ 300 por saca em diversas regiões produtoras.
A dinâmica atual reflete um equilíbrio delicado entre a oferta restrita e uma demanda que, embora constante, permanece seletiva. Segundo analistas do setor, como Evandro Oliveira, da consultoria Safras & Mercado, a retenção de estoques por parte dos produtores e os custos elevados de reposição são os principais pilares que sustentam as cotações neste momento.
Fatores que sustentam a alta nos preços
A valorização recente não é uniforme, sendo impulsionada majoritariamente por lotes de qualidade superior. No caso do feijão carioca, os compradores têm priorizado padrões nota 8 e 8,5, que apresentam melhor rendimento industrial e menor índice de quebra. Essa seletividade faz com que o preço nominal de R$ 360 seja uma referência para o produto extra, enquanto lotes de qualidade inferior encontram maior resistência comercial.
No interior de São Paulo, as negociações FOB encerraram a semana em patamares entre R$ 350 e R$ 355. Em Minas Gerais, os valores oscilaram entre R$ 318 e R$ 322, enquanto em Goiás as cotações variaram de R$ 306 a R$ 312. A liquidez, contudo, permanece baixa, uma vez que muitos empacotadores já haviam garantido cargas em contratos anteriores, reduzindo a urgência por novas compras.
O avanço do feijão preto no mercado nacional
O feijão preto tem demonstrado um movimento de alta mais consistente. No Paraná, o produto tipo 1 já ultrapassou a barreira dos R$ 260, com tendência de chegar aos R$ 270. Em São Paulo, os preços já flertam com o limite de R$ 300 por saca. A importação, que historicamente servia como válvula de escape para controlar os preços internos, perdeu força, com o feijão argentino sendo cotado próximo aos R$ 300, sem competitividade frente ao produto nacional.
Impactos da safra 2026/27 e riscos climáticos
As atenções do setor agora se voltam para o desenvolvimento da primeira safra 2026/27. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) indicam uma redução de 8% na produção paranaense, estimada em 177,7 mil toneladas, acompanhada por um recuo de 14% na área cultivada. O mercado observa com preocupação a influência do El Niño, que pode comprometer a produtividade esperada de 2.013 quilos por hectare.
A incerteza climática atua como um prêmio de risco, mantendo os produtores reticentes em liberar grandes volumes antes de entender o real impacto das chuvas nas lavouras. O mês de outubro será decisivo para definir se as cotações encontrarão um novo patamar de estabilidade ou se a pressão por oferta elevará ainda mais os custos ao consumidor final.
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Fonte: portaldoagronegocio.com.br
