Guerra em Gaza completa três anos sob sombra de impasse e bombardeios diários

Guerra em Gaza completa três anos sob sombra de impasse e bombardeios diários

Mundo

O conflito na Faixa de Gaza atinge, nesta quarta-feira (7), a marca de três anos desde o ataque do Hamas contra Israel, ocorrido em 7 de outubro de 2023. O cenário atual é de estagnação diplomática: o chamado “plano de paz” mediado pelos Estados Unidos permanece sem avanços concretos, enquanto a população civil enfrenta uma rotina de destruição e ocupação em 60% do território palestino.

Relatórios recentes do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha) confirmam que os bombardeios aéreos israelenses contra áreas densamente povoadas continuam ocorrendo diariamente. Entre 23 e 30 de setembro, o Ministério da Saúde local registrou 29 mortes e 147 feridos. Desde o anúncio de um cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025, o conflito contabilizou 1.431 óbitos, uma média alarmante de quase quatro vidas perdidas por dia.

Crise humanitária e falta de recursos

A situação humanitária em Gaza é descrita por especialistas como catastrófica. A entrada de suprimentos essenciais segue restrita por Israel, que mantém o controle soberano das fronteiras. A professora de relações internacionais da Fecap, Isabela Agostinelli, aponta que o plano de paz conduzido pela administração Trump não trouxe alívio para os quase 2 milhões de palestinos, nem estabeleceu condições para a reconstrução do território.

A escassez de recursos agrava o quadro. O Ocha alertou que a produção diária de refeições quentes sofrerá reduções severas neste mês devido ao déficit de financiamento internacional. Apenas 40% dos US$ 4 bilhões solicitados para assistência humanitária foram arrecadados. A estimativa é que 1,4 milhão de pessoas, representando 67% da população de Gaza, enfrentem níveis críticos de insegurança alimentar até o final de 2026.

O impasse sobre o desarmamento

Um dos pontos centrais que travam as negociações é a exigência de desarmamento. O professor da PUC-SP, Bruno Huberman, explica que o impasse reside em uma lógica de pré-condições cruzadas: Israel condiciona a retirada de suas tropas ao desarmamento do Hamas, enquanto o grupo palestino exige a desocupação prévia do território. Os Estados Unidos, até o momento, não apresentaram uma estratégia eficaz para mediar essa divergência.

Além disso, o governo israelense tem impedido a atuação de um comitê tecnocrático palestino, sem vínculos partidários, que foi desenhado para monitorar a reconstrução de Gaza. Membros desse grupo, que se reuniram no Cairo no ano passado, permanecem exilados no Egito, visto que Israel proíbe seu retorno ao enclave. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, reforça que qualquer transição de governo civil só será aceita mediante a desmilitarização total dos grupos locais.

Fragmentação e milícias em Gaza

Enquanto a diplomacia patina, a realidade no terreno torna-se ainda mais complexa. Analistas observam que Israel tem financiado milícias locais em Gaza com o objetivo de disputar o controle territorial com o Hamas. Essa estratégia de fragmentação do poder local, somada à destruição da infraestrutura básica, prolonga o sofrimento dos civis e dificulta a criação de uma governança unificada e estável para a região.

O ConexRS mantém seu compromisso com a cobertura rigorosa dos conflitos globais e seus impactos humanitários. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre o cenário no Oriente Médio e análises aprofundadas sobre os desdobramentos desta crise que afeta a segurança e a estabilidade mundial.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br