China promove intercâmbio global para discutir o futuro das civilizações fluviais

China promove intercâmbio global para discutir o futuro das civilizações fluviais

Mundo

A China tem buscado consolidar uma rede de cooperação internacional centrada na relação histórica e econômica entre os povos e seus grandes rios. Durante a 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizado nesta semana em Chongqing, especialistas de diversas nações debateram como o legado de cursos d’água como o Amazonas, o Nilo, o Danúbio e o Mississippi pode servir de base para um desenvolvimento mais sustentável e integrado.

O evento, que reuniu representantes de quase 20 países, incluindo Brasil, Egito, Sérvia e Austrália, alinha-se à Iniciativa para a Civilização Global, proposta pelo governo chinês em 2023. O objetivo central é promover valores comuns e o compartilhamento de saberes entre nações que possuem em seus rios não apenas fontes de recursos, mas pilares de sua própria formação cultural.

O papel estratégico do rio Yangtzé na história chinesa

Chongqing, uma metrópole com 32 milhões de habitantes, serviu como cenário para a discussão sobre a Rota Econômica do Rio Yangtzé. Com 6,3 mil quilômetros de extensão, o Yangtzé é a espinha dorsal da economia chinesa, conectando o interior do país ao porto de Xangai. Durante o fórum, pesquisadores destacaram que a historiografia ocidental, por muito tempo, privilegiou os rios Nilo e Tigre-Eufrates como berços da civilização, negligenciando a antiguidade das ocupações humanas e o desenvolvimento da agricultura de arroz na bacia do Yangtzé, que remonta a quase 10 mil anos.

Para aprofundar esse entendimento, os participantes realizaram um cruzeiro de 440 quilômetros pelo leito do rio, visitando marcos históricos como o templo de Zhang Fei e a fortaleza de Shibaozhai. A iniciativa busca reescrever a narrativa sobre o papel dos grandes rios na evolução da humanidade, propondo uma visão mais plural e menos centrada em paradigmas europeus.

Desafios ambientais e a transição para a civilização ecológica

O rápido crescimento industrial chinês nas últimas cinco décadas trouxe um custo ambiental elevado para o Yangtzé. O exemplo mais emblemático dessa degradação foi a extinção, em 2006, do golfinho Baiji, uma das três espécies de golfinhos de água doce existentes no mundo. Especialistas reconhecem que o país percorreu caminhos complexos, mas enfatizam que a postura estatal mudou drasticamente nos últimos anos.

Sob a doutrina da “civilização ecológica”, que se tornou prioridade nacional em 2012 e foi incorporada à Constituição chinesa em 2018, o governo tem implementado medidas rigorosas. Entre elas, destaca-se a proibição da pesca profissional, que já perdura por uma década, e diversos projetos de restauração da biodiversidade. Vera Maria Ferreira da Silva, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), pontuou que a China atingiu um limite crítico e que a mudança de rumo é uma necessidade urgente para evitar a perda total dos ecossistemas fluviais.

Cooperação internacional como ferramenta de preservação

O intercâmbio de conhecimentos técnicos foi um dos pontos altos do fórum. Representantes egípcios compartilharam métodos ancestrais e modernos de medição das águas do Nilo, essenciais para a gestão de secas e enchentes. O professor Alaa Hussein Mahmoud Menshawy, da Universidade de Luxor, reforçou que problemas como poluição e mudanças climáticas não respeitam fronteiras, tornando a colaboração global indispensável para a sobrevivência das populações ribeirinhas.

O debate reforça a importância de monitorar como as grandes potências lidam com seus recursos hídricos, um tema de interesse global. Para acompanhar análises aprofundadas sobre geopolítica, meio ambiente e as transformações que moldam o cenário internacional, continue acompanhando o ConexRS. Nosso compromisso é levar até você informações relevantes, contextualizadas e fundamentadas em fatos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br