Rússia retoma bombardeios em Kiev logo após saída de enviados dos EUA

Rússia retoma bombardeios em Kiev logo após saída de enviados dos EUA

Mundo

A capital ucraniana, Kiev, foi alvo de uma intensa ofensiva aérea russa na madrugada desta terça-feira (8), marcando o fim abrupto de uma trégua tácita que durou três dias. O ataque, que envolveu o uso coordenado de drones e mísseis, ocorreu logo após a partida de negociadores norte-americanos que visitavam a região para discutir possíveis caminhos para o fim do conflito, que já se estende por quatro anos e meio.

Segundo informações confirmadas pelo prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, a ofensiva deixou um rastro de destruição na cidade, resultando na morte de três pessoas e deixando outras 16 feridas. O impacto dos artefatos atingiu ao menos 14 edifícios, incluindo uma escola, uma clínica, um dormitório e diversas instalações logísticas, evidenciando a escala do dano à infraestrutura civil.

A fragilidade das negociações de paz

A pausa nos ataques, que havia sido respeitada tanto por Moscou quanto por Kiev, tinha como objetivo garantir a segurança de Jared Kushner e Steve Witkoff, enviados do governo dos Estados Unidos. A missão diplomática buscava renovar os esforços para encerrar as hostilidades, após conversas prévias realizadas em Moscou, onde o Kremlin sinalizou abertura para retomar negociações tripartites.

A reação ucraniana foi imediata e contundente. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, utilizou as redes sociais para condenar o gesto, classificando-o como um ataque massivo e terrível lançado no momento exato em que os diplomatas deixaram o país. Sybiha aproveitou a ocasião para reforçar um apelo urgente aos aliados ocidentais: a necessidade crítica de reforçar os estoques de interceptores, essenciais para neutralizar mísseis balísticos russos.

Complexidade técnica e alvos estratégicos

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, descreveu a operação russa como um ataque complexo, desenhado para maximizar danos humanos e materiais. A estratégia russa combinou mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones a jato, conhecidos como shaheds, que apresentam maior velocidade e capacidade de evasão do que os modelos utilizados anteriormente.

O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, justificou a ofensiva alegando que os alvos atingidos em Kiev e na região portuária de Chornomorsk, no Mar Negro, possuíam natureza militar e logística. A investida não se limitou à capital; o primeiro-ministro Sergii Koretskyi relatou que ao menos oito regiões ucranianas foram atingidas simultaneamente. Na região de Sumy, um ataque a um trem forçou a evacuação de cerca de 100 pessoas, enquanto um mercado nos arredores de Odessa também foi alvo, deixando feridos.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br