A influência das marcas sobre as decisões de consumo voltou a ganhar tração em 2026, revelando um cenário de transformação profunda no comportamento do público. Segundo o estudo Brand Renaissance: The Role of Brand in the age of AI, realizado pela Interbrand, a força de uma marca tornou-se um diferencial crítico em um mercado cada vez mais mediado por algoritmos. O levantamento aponta que, após um período de estabilidade, o indicador que mede o peso da marca nos critérios de escolha do consumidor atingiu 35%, evidenciando uma busca por diferenciação em um ambiente digital saturado.
A influência da tecnologia e a comoditização algorítmica
O avanço da inteligência artificial trouxe um efeito colateral inesperado para o mercado: a chamada comoditização algorítmica. De acordo com Daniella Bianchi, CEO da Interbrand Brasil, a tendência é que as marcas se tornem cada vez mais parecidas à medida que os sistemas de recomendação priorizam padrões e preferências já estabelecidos. Esse fenômeno coloca em xeque a relevância de empresas que não conseguem imprimir um caráter humano ou experiências únicas em suas ofertas.
Em contrapartida, setores que apostam na experiência do usuário têm colhido resultados positivos. Empresas de tecnologia registraram uma evolução de 8% em seu papel de marca, enquanto os segmentos de mídia, entretenimento, eletrônicos e hospitalidade apresentaram um crescimento de 7%. Esse movimento sugere que, em um mundo automatizado, o toque humano e a personalização tornaram-se ativos valiosos para conquistar a preferência do consumidor.
Setores em transformação e o declínio do luxo
Enquanto algumas categorias avançam, outras enfrentam desafios estruturais significativos. O setor de luxo registrou a queda mais acentuada, com um declínio de 62% no papel de marca. O estudo associa esse resultado a uma mudança na percepção do público, que tem se distanciado da associação direta entre consumo e status. O setor automotivo segue uma trajetória similar, com redução de 55%, impulsionada pela padronização global dos veículos elétricos, que diminuiu a percepção de exclusividade entre as marcas.
Outros segmentos também sentem o impacto das mudanças regulatórias e de comportamento. Bebidas alcoólicas sofreram uma retração de 27%, influenciadas por uma maior busca pela saudabilidade. Já o varejo e bens de consumo registraram quedas de 22% e 26%, respectivamente, pressionados pela ascensão das marcas próprias e pela dominância dos algoritmos de busca no e-commerce, que nivelam a concorrência por preço e eficiência operacional.
O dilema das categorias comoditizadas
O levantamento, realizado em parceria com a Interbrand, analisou mais de 5,5 mil avaliações de consumidores em mercados estratégicos, incluindo Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Índia e China. O diagnóstico central é o dilema enfrentado por categorias altamente comoditizadas: escolher entre a guerra de preços e eficiência operacional ou a redefinição do negócio através de novos serviços e experiências memoráveis.
Para as empresas, o desafio de 2026 em diante é claro: a tecnologia deve servir como plataforma de crescimento, mas não pode substituir a identidade da marca. A capacidade de oferecer algo que o algoritmo não consegue replicar — a conexão emocional e a experiência humana — será o fator determinante para a sobrevivência e o sucesso das marcas nos próximos anos.
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Fonte: meioemensagem.com.br

