Dólar avança para R$ 5,04 sob influência da inflação nos EUA e expectativa eleitoral

Dólar avança para R$ 5,04 sob influência da inflação nos EUA e expectativa eleitoral

Agro

O mercado financeiro brasileiro iniciou a quarta-feira (14) sob forte influência de indicadores externos e tensões políticas internas. O dólar à vista registrou alta, sendo negociado a R$ 5,04, impulsionado pelo fortalecimento da moeda americana no cenário global após a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos. O movimento reflete a cautela dos investidores diante de um ambiente macroeconômico que exige reajustes constantes nas estratégias de alocação de ativos.

Impacto da inflação americana no câmbio

A valorização da moeda norte-americana está diretamente ligada ao Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que apresentou alta de 0,6% em setembro. O resultado, que veio em linha com as projeções de analistas consultados pela Reuters, provocou uma reação imediata nos rendimentos dos Treasuries, os títulos do governo americano. Com o aumento desses rendimentos, o dólar ganhou tração frente a uma cesta de moedas globais, pressionando o real brasileiro logo nas primeiras horas do pregão.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a seis divisas principais, subiu 0,47%, atingindo 102,660 pontos. Além do CPI, o mercado aguarda a publicação do Livro Bege pelo Federal Reserve. O documento é um termômetro essencial para entender as condições econômicas regionais dos EUA, fornecendo pistas sobre os próximos passos da política monetária americana, o que impacta diretamente o apetite ao risco em mercados emergentes como o Brasil.

Cenário político e pesquisas eleitorais

No âmbito doméstico, a atenção dos investidores está voltada para a divulgação da nova pesquisa Quaest, prevista para o final do dia. O levantamento é aguardado com expectativa por trazer dados sobre a disputa presidencial, em um momento em que pesquisas anteriores, como a BTG/Nexus, apontaram um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A dinâmica eleitoral ganhou um novo capítulo com a confirmação de que Flávio Bolsonaro participará do debate da Band no próximo domingo, revertendo uma decisão anterior de ausência. A presença de ambos os candidatos no debate é vista pelo mercado como um fator de volatilidade, dado que as propostas econômicas e o tom adotado pelos postulantes ao cargo podem influenciar as expectativas para o segundo turno.

Atividade econômica e indicadores internos

Além das questões políticas e externas, o mercado digere dados sobre a atividade econômica nacional. O IBGE reportou que o volume de serviços recuou 0,1% em agosto frente a julho, ficando abaixo das expectativas de economistas, que projetavam um avanço de 0,4%. Na comparação anual, o setor cresceu 0,6%, também aquém do esperado.

Somado a isso, o mercado acompanha a tramitação no Senado de uma proposta de emenda à Constituição que debate o fim da escala de trabalho 6×1. O conjunto desses fatores, aliado ao leilão de rolagem de swaps cambiais programado pelo Banco Central, compõe um dia de negociações complexo. O desempenho do Ibovespa, que fechou o pregão anterior em queda de 1,04%, servirá como um termômetro adicional para a confiança dos investidores ao longo da sessão.

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Fonte: portaldoagronegocio.com.br