Fim da escala 6x1 gera alerta sobre impacto de R$ 267 bilhões na economia

Fim da escala 6×1 gera alerta sobre impacto de R$ 267 bilhões na economia

Geral

A recente aprovação pelo Senado do fim da escala de trabalho 6×1, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem a redução de salários, colocou o setor produtivo brasileiro em estado de alerta. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mudança normativa pode elevar os custos de produção no país em até R$ 267,2 bilhões. O impacto macroeconômico projetado inclui uma retração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), o que representaria uma perda de R$ 76,9 bilhões para a economia nacional.

Projeções de inflação e custos operacionais

O debate sobre a alteração na jornada de trabalho transcende a esfera administrativa e toca diretamente o bolso do consumidor final. De acordo com o manifesto conjunto assinado por diversas confederações empresariais, a medida tende a pressionar os preços de uma vasta gama de produtos e serviços. A CNI projeta uma elevação média de 6,2% nos preços ao consumidor, com destaque para o setor de vestuário, que pode sofrer um reajuste de 6,6%.

Outros setores essenciais também apresentam estimativas preocupantes. O segmento de supermercados pode registrar uma alta de 5,7% nos preços, enquanto produtos industrializados devem encarecer cerca de 6%. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é ainda mais cautelosa, prevendo que a inflação possa subir pelo menos 13% em decorrência das novas exigências. No setor de transporte, a projeção inicial é de um aumento de R$ 11,9 bilhões apenas em custos com mão de obra.

Desafios para o agronegócio e a força de trabalho

O agronegócio, pilar fundamental da balança comercial brasileira, observa a mudança com especial apreensão. A escassez de mão de obra, um gargalo já consolidado no campo, pode ser agravada pela nova legislação. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), indicam que 94,8% dos produtores rurais já enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores.

A preocupação das entidades é que a redução da jornada estimule a migração de trabalhadores para atividades menos dependentes de presença física, o que afetaria a oferta e o preço final dos alimentos. Além disso, a criação de um segundo dia de descanso semanal remunerado é vista como um complicador adicional, com potencial para elevar em 9,1% os custos do emprego formal, afetando inclusive empresas e órgãos públicos que já operavam sob o regime de 40 horas semanais.

O debate sobre a transição e a negociação coletiva

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que obteve 75 votos favoráveis e apenas um contrário no Senado, gerou críticas quanto ao momento político escolhido para a votação. Entidades empresariais argumentam que mudanças estruturais dessa magnitude deveriam ser precedidas por estudos de impacto mais aprofundados e discussões que considerassem as particularidades de cada setor produtivo.

Em vez de uma implementação rígida, o setor produtivo defende a adoção de regras de transição mais flexíveis. A proposta das confederações é que as adaptações de jornada sejam mediadas por negociações coletivas, permitindo que empresas e trabalhadores encontrem modelos mais adequados à realidade de cada segmento. O texto segue agora para os próximos trâmites legais visando sua promulgação, enquanto o mercado aguarda definições sobre a aplicação prática das novas regras.

O ConexRS segue acompanhando de perto os desdobramentos desta mudança legislativa e seus reflexos diretos na economia e no mercado de trabalho. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextualizadas e relevantes para o seu dia a dia. Continue conosco para entender como as decisões políticas moldam o cenário nacional e regional, sempre com a credibilidade e a variedade de temas que você encontra em nosso portal.

Fonte: canalrural.com.br