A busca pela proximidade familiar somada a momentos de incerteza econômica frequentemente desenha novos rumos profissionais. Foi exatamente essa confluência de fatores que levou Luciane Oliveira a deixar para trás o ritmo acelerado de São Paulo para estruturar uma nova trajetória no campo. A mudança começou a tomar forma durante a turbulência financeira global de 2008, momento em que o plano original de montar um comércio de roupas foi substituído por uma alternativa sólida na zona rural.
Quase duas décadas após o início dessa transição, a antiga moradora da capital paulista coordena a rotina avícola no Sítio Aconchego, situado no município de Guaxupé, no sul de Minas Gerais. Ao lado dos pais, Alceu e Laurinda Oliveira, o empreendimento rural tornou-se tanto uma fonte de sustento econômico quanto um elo definitivo para manter a família unida no dia a dia da lida.
Da vida urbana ao desafio do manejo no campo
Antes de adotar o campo como ofício, a rotina de Luciane era totalmente voltada ao ambiente urbano. Enquanto ela desempenhava suas atividades na metrópole paulista, seus pais haviam concluído a aquisição da propriedade rural mineira para desfrutar da aposentadoria. Com o casamento de um irmão e a mudança de sua irmã para o exterior, a solidão na cidade grande pesou na balança emocional.
Ao decidir acompanhar os pais, surgiu a necessidade prática de viabilizar financeiramente a permanência na terra. A crise de 2008 demandava cautela, e o sistema integrado de frangos de corte surgiu como a opção produtiva com lastro econômico ideal para a propriedade, que até então não possuía instalações voltadas à atividade agropecuária.
Avicultura exige dedicação constante e evolução técnica
O primeiro lote de aves chegou à granja em janeiro de 2009, exigindo rápida adaptação e aprendizado contínuo sobre sanidade, ambiência e manejo. Luciane recorda o contraste da mudança de hábitos ao afirmar que deixou os sapatos de salto alto pelas botas de borracha, compreendendo na prática a complexidade de trabalhar com seres vivos sensíveis a oscilações térmicas e climáticas.
A curva de aprendizado incluiu momentos desafiadores logo na estreia. A morte de 34 aves próximas do período de abate, em um lote que somava cerca de 14 mil animais, provocou frustração inicial, mas serviu de impulso para aprimorar os processos diários. Segundo a avicultora, a leitura do lote depende diretamente do acompanhamento visual constante, indo além dos parâmetros indicados pelos painéis eletrônicos.
Informações detalhadas sobre boas práticas de produção animal e gestão no campo podem ser consultadas no portal da Embrapa, que disponibiliza estudos voltados ao aprimoramento das granjas comerciais no Brasil.
A construção do patrimônio e os avanços na infraestrutura
A estrutura produtiva do sítio é fruto direto do esforço acumulado ao longo da trajetória de Alceu e Laurinda. Natural de Andradina, interior de São Paulo, o patriarca iniciou a juventude prestando serviços agrícolas e, a partir de 1975, migrou para a capital paulista para trabalhar no setor industrial, onde construiu uma carreira sólida na operação de maquinários antes de adquirir a terra em Minas Gerais.
Hoje, a propriedade rural opera com dois galpões avícolas modernos, equipados com sistemas de controle ambiental, aquecimento a gás e renovação de ventilação. O empenho operacional da família rendeu reconhecimento técnico na região, com a granja alcançando a décima colocação em avaliações de desempenho entre produtores parceiros integrados.
Histórias que retratam a evolução do setor produtivo e o cotidiano das famílias rurais refletem o compromisso contínuo do ConexRS em levar informação aprofundada, regional e confiável aos leitores que acompanham os múltiplos cenários do Brasil.
Fonte: canalrural.com.br

