Polícia Federal prende no Rio Grande do Sul coronel uruguaio condenado por crimes na ditadura

Polícia Federal prende no Rio Grande do Sul coronel uruguaio condenado por crimes na ditadura

Rio Grande do Sul

A Polícia Federal efetuou nesta segunda-feira (26), no município de Santana do Livramento, a prisão do uruguaio Pedro Antonio Mato Narbondo. O ex-militar é alvo de condenação pela Justiça italiana em razão de seu envolvimento no sequestro, na tortura e na morte de quatro cidadãos italianos durante o período da ditadura militar uruguaia.

A detenção ocorreu em cumprimento a uma determinação expedida pelo Superior Tribunal de Justiça, que validou a sentença estrangeira para que o cumprimento da pena ocorra no território brasileiro, visto que o alvo possui naturalização no país.

Operação e encaminhamento ao sistema prisional

Após a localização pelas autoridades policiais, o condenado passou pelos trâmites legais obrigatórios e foi transferido para o sistema prisional. No local, ele permanecerá custodiado e à disposição da Justiça, conforme detalhado em nota oficial divulgada pela Polícia Federal.

O histórico do ex-oficial aponta que ele atuava nos anos 1970 integrando o Serviço de Informações de Defesa, um órgão central da repressão política estabelecida pelo regime de exceção uruguaio. O indivíduo obteve a nacionalidade brasileira nos anos 2000, condição que impede sua extradição para a Itália, motivando a execução da pena em solo nacional.

Medidas cautelares e histórico de monitoramento

Antes da efetivação da prisão, a Justiça já havia imposto restrições ao investigado. Desde março deste ano, amparado por solicitação do Ministério Público Federal, ele estava sob monitoramento eletrônico por meio de tornozeleira e mantinha proibição expressa de ausentar-se do município gaúcho para mitigar riscos de fuga.

A atuação do ex-agente remonta ao contexto da Operação Condor, estratégia coordenada entre os serviços de inteligência de nações sul-americanas — incluindo Brasil, Argentina, Chile e Uruguai — voltada para a perseguição, sequestro e eliminação de opositores políticos no Cone Sul.

Repercussão jurídica e rejeição da anistia

A conversão da pena perpétua imposta pela Corte de Apelação de Milão para 30 anos de reclusão — limite máximo aplicável conforme a legislação brasileira — foi decidida pela Corte Especial do STJ. O colegiado também debateu a aplicação da Lei da Anistia, tese que acabou rejeitada pela maioria dos magistrados durante a sessão.

Para mais informações sobre o caso, acesse a cobertura completa no g1 Rio Grande do Sul.