A estátua erguida em homenagem ao ex-presidente João Goulart, localizada na Orla do Guaíba, em Porto Alegre, amanheceu com marcas de depredação na última terça-feira (20). O monumento em bronze teve o rosto e o terno desfigurados com tintas coloridas, gerando forte reação de familiares do antigo mandatário brasileiro e de movimentos de preservação da memória histórica.
Logo após a constatação dos danos, a família do ex-presidente compareceu às autoridades competentes para formalizar a denúncia. A ocorrência foi registrada junto à Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que abriu diligências para tentar identificar a autoria da ação em um dos pontos turísticos mais frequentados da capital gaúcha.
Reação da família e representação em órgãos fiscalizadores
O advogado e neto de Jango, Christopher Goulart, utilizou seus canais digitais para expressar repúdio ao ocorrido e anunciar medidas formais contra a agressão patrimonial. Segundo ele, o caso não ficará restrito ao boletim de ocorrência policial.
De acordo com Christopher, a formalização do ato de depredação será encaminhada oficialmente ao Ministério Público, à Prefeitura de Porto Alegre, ao IFI e a outros órgãos ligados à preservação do patrimônio histórico. A intenção é cobrar medidas preventivas de segurança para os monumentos públicos espalhados pela cidade.
Preservação da memória e implicações legais da pichação
Outra neta do político, Bela Goulart, também se pronunciou publicamente por meio de vídeo publicado na internet, onde frisou a gravidade da violação e lembrou a relevância do legado de Jango na história nacional.
Em sua fala, ela alertou para as penalidades legais decorrentes do ataque ao patrimônio público. A neta reforçou que pichar monumento constitui crime ambiental e dano contra a cidade, afirmando que os responsáveis deverão responder perante a lei. Bela assegurou ainda que o monumento será revitalizado e que as manifestações em defesa da história democrática não serão silenciadas por intimidações.
Monumento recente na capital e a trajetória de Jango
Inaugurada no início de 2024, a estátua foi concebida para homenagear o líder gaúcho que presidiu o Brasil entre os anos de 1961 e 1964. O mandato de Goulart foi abruptamente interrompido em 1º de abril de 1964 pelo golpe civil-militar que instaurou a ditadura no país por mais de duas décadas. Jango viveu no exílio e faleceu na Argentina em 1976.
A legislação brasileira tipifica a pichação de monumentos tombados ou bens públicos no artigo 65 da Lei de Crimes Ambientais, com previsão de detenção e multa. Mais detalhes sobre a cobertura de casos de segurança pública e patrimônio estão disponíveis no portal g1 RS, que acompanha o andamento das investigações locais.

