Um relato trazido por um piloto à Folha nesta terça-feira (27) colocou sob suspeita os movimentos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo o profissional, um funcionário de aeroporto afirmou que o parlamentar estaria listado como passageiro de uma aeronave executiva posicionada em solo argentino.
A situação ganhou repercussão internacional em meio a investigações e restrições judiciais impostas a figuras públicas no país. A apuração inicial do caso também mobilizou autoridades de fiscalização migratória e forças policiais.
O contexto da aeronave em solo argentino
A aeronave em questão, um jato Gulfstream G400 operado pela empresa argentina Baires Fly S.A, pousou no aeroporto internacional de Puerto Iguazú. O local fica próximo à fronteira brasileira, sendo um ponto estratégico de ligação regional.
De acordo com o piloto Mauro Mattosinho, a informação foi repassada durante a madrugada por um funcionário aeroportuário anônimo. O plano indicava que o jato aguardava quatro passageiros para decolar rumo a outro destino, mas permaneceu retido devido a pendências documentais.
Contradições e registros oficiais de fronteira
Enquanto relatos de funcionários apontavam a suposta presença de passageiros ligados ao caso, órgãos oficiais apresentaram dados divergentes. A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou não possuir registros formais sobre a entrada do senador em território argentino.
A Polícia Federal brasileira intensificou o rastreamento na região de fronteira para apurar os fatos. O caso ganhou tração após medidas restritivas emitidas pelo Supremo Tribunal Federal, que determinou o cancelamento de passaportes e proibiu o senador de deixar o Brasil.
Antecedentes e desdobramentos políticos
A poluição em torno do voo ocorre logo após o desfecho do segundo turno da eleição presidencial, na qual Flávio foi derrotado na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O histórico profissional de Mattosinho também envolve colaborações anteriores com investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o uso de aviação executiva por figuras investigadas em esquemas financeiros e fraudes no setor de combustíveis.

