Doença de Newcastle impõe barreiras comerciais e afeta o setor avícola nacional

Doença de Newcastle impõe barreiras comerciais e afeta o setor avícola nacional

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Pelo menos 23 países, além de importantes blocos econômicos, adotaram barreiras comerciais à importação de produtos avícolas brasileiros após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, em outubro de 2026. As medidas aplicadas variam de acordo com a exigência de cada mercado importador: enquanto algumas nações suspenderam totalmente as compras do Brasil, outras limitaram as restrições apenas ao estado catarinense ou aos municípios diretamente afetados pela ocorrência sanitária.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, o reconhecimento internacional da regionalização sanitária, obtido por meio de negociações coordenadas com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, desempenhou papel fundamental para atenuar os impactos comerciais e financeiros da doença no mercado externo.

Panorama das restrições e impactos nas exportações

As barreiras comerciais foram divididas em três níveis distintos de abrangência territorial definidos pelas autoridades estrangeiras. No primeiro grupo, focado na suspensão total, encontram-se Uruguai, México e Malásia, que interromperam temporariamente as compras de todo o território brasileiro.

Um segundo grupo de parceiros comerciais impôs restrições exclusivas às carnes e derivados procedentes de Santa Catarina, abrangendo mercados expressivos como China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai, Uzbequistão e a União Econômica Eurasiática.

Por fim, um terceiro grupo optou por limitar o embargo apenas à área sob rigoroso controle sanitário oficial. Essa categoria restrita concentra-se nos municípios catarinenses de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, englobando países e regiões como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul, Argentina, Canadá, Egito e Vietnã.

Estratégia sanitária evita perdas milionárias ao país

O avanço no entendimento diplomático e técnico sobre a regionalização sanitária permitiu que o país evitasse perdas comerciais ainda mais severas. A consolidação dessa estratégia ganhou força especial após um episódio semelhante registrado no Rio Grande do Sul em julho de 2024, quando o governo intensificou tratativas baseadas no Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal.

Levantamentos oficiais do Mapa, fundamentados no desempenho das exportações de 2025, estimam que a adoção de barreiras localizadas evitou perdas financeiras potenciais da ordem de US$ 954 milhões por ano. Entre os principais mercados beneficiados por essa contenção proporcional de danos destacam-se a China, com cerca de US$ 485 milhões preservados, além de Arábia Saudita (US$ 293 milhões) e Argentina (US$ 57 milhões).

Ações de combate e emergência em Santa Catarina

Logo após a identificação inicial do foco em uma granja comercial de perus situada em Nova Itaberaba, em 18 de outubro, o governo federal decretou emergência zoossanitária pelo período de 60 dias na região afetada. O cerco sanitário foi reforçado após a confirmação de novos focos nos municípios vizinhos de Coronel Freitas e Nova Erechim.

As operações em campo contam com atuação direta do Serviço Veterinário Oficial, responsável por conduzir rigorosas investigações epidemiológicas, barreiras de contenção e ações intensificadas de vigilância. Paralelamente, autoridades federais mantêm canais abertos com as representações estrangeiras para prestar esclarecimentos técnicos contínuos e restabelecer a normalidade do comércio exterior.