Transformar o potencial dos recursos hídricos e costeiros em oportunidades concretas de desenvolvimento econômico e social é o principal objetivo do projeto de economia azul do Sebrae RS. Iniciada há cerca de três anos, a iniciativa consolida sua presença na região sul e prepara novas estratégias para alcançar outros territórios gaúchos.
O trabalho começou estruturado no município de Rio Grande e agora avança para Pelotas, Camaquã e São Lourenço do Sul. As frentes de atuação envolvem a qualificação de empreendedores, o fortalecimento da governança local e o estímulo a negócios voltados à atividade marítima e lagunar, turismo, gastronomia e inovação.
Origem e articulação estratégica no litoral
A gênese do projeto em Rio Grande está fundamentada na visão de futuro estabelecida pelo Grande Pacto Pela Inovação. O movimento local definiu como meta transformar o município em uma referência internacional em economia azul ao longo de dez anos, articulando parcerias estratégicas para aproveitar as vocações aquáticas da região.
Segundo Ciro Vives, gerente de marketing do Sebrae RS, a iniciativa busca impulsionar o desenvolvimento territorial em sintonia com grandes transformações locais. Entre os marcos citados estão a retomada do polo naval, as perspectivas da bacia de Pelotas, a construção da ponte entre Rio Grande e São José do Norte e a implantação da nova fábrica da CMPC.
O ecossistema de governança reúne organizações como a prefeitura municipal, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Câmara do Comércio, o Arranjo Produtivo Local (APL) Marítimo, o Sicredi e a Portos RS. Essa articulação conjunta favorece a captação de recursos, a atração de investidores e a retenção de talentos na região.
Capacitação, turismo e diversidade produtiva
As ações práticas desenvolvidas pelo projeto abrangem desde consultorias para meios de hospedagem até a valorização da gastronomia baseada em frutos do mar. Oficinas de cardápios e a participação de empresas em feiras e eventos consolidam a visibilidade dos negócios locais no cenário estadual.
O programa também investe na inclusão produtiva, apoiando empreendimentos liderados por grupos sub-representados em Rio Grande. Em Pelotas, o escopo contempla a divulgação da atividade tradicional das redeiras da Z3 e capacitações em artesanato azul com premiações específicas.
Para Álvaro Fossati, gestor de projetos do Sebrae RS, a atuação está em fase de consolidação com o auxílio de conselhos estratégicos e comissões temáticas. O Fórum de Economia Azul se firmou como importante espaço de debate, alcançando relevância na articulação institucional e no atendimento aos empreendedores.
Parcerias internacionais e inovação tecnológica
A trajetória da iniciativa inclui conexões internacionais voltadas à educação, cooperação e inovação tecnológica. O apoio à governança do Grande Pacto abrangeu fóruns sobre o ciclo das águas, capacitação de jovens vulneráveis por meio do programa Ubuntu e acordos entre Rio Grande, o Instituto Politécnico de Leiria e a Prefeitura de Peniche, em Portugal.
O Sebrae RS também marcou presença em eventos internacionais como a Conferência da Década dos Oceanos, realizada em território europeu. No campo da inovação, o foco recai sobre programas de aceleração para startups ligadas à economia azul e o apoio na formação de uma agência de desenvolvimento local.
Perspectivas e novas fronteiras continentais
Para os próximos períodos, a diretriz é expandir a atuação com base em eixos estratégicos definidos em conjunto com o Sebrae Nacional. A metodologia acumulada na zona costeira servirá de base para alcançar territórios distantes do litoral, integrando rios, recursos hídricos continentais e a aquicultura.
Com essa adaptação às vocações de cada localidade, a economia azul demonstra potencial para capilarizar estratégias de sustentabilidade e empreendedorismo por todo o estado, fortalecendo a economia regional com base no uso consciente e inovador dos recursos hídricos.

