Os investimentos vultosos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) têm sido o ponto de atenção dos investidores em empresas de tecnologia, que se questionam se os retornos estão à altura dos gastos. Ao que tudo indica, a Microsoft (MSFT) parece ter mostrado que sim, é possível não apenas ganhar com IA — mas também gastando menos.
De modo geral, o resultado do terceiro trimestre de 2026 (3T26) da empresa veio em linha com o esperado pelos analistas, mantendo um ritmo consistente de avanço nas principais frentes de negócio.
Investimentos robustos e fluxo de caixa preservado
O destaque foi para o investimento fixo da companhia, o chamado capex. Mesmo com uma injeção expressiva de recursos da ordem de US$ 39,37 bilhões, a Microsoft gerou US$ 18,63 bilhões em fluxo de caixa, demonstrando capacidade de financiar parte relevante de seus investimentos sem comprometer a geração de caixa.
Além disso, o destaque dos analistas foi para a divisão do Azure, plataforma de computação em nuvem, que segue como a maior linha de receita da companhia. O crescimento na comparação anual foi de 48%, com a receita somando US$ 33,2 bilhões no terceiro trimestre deste ano.
Desempenho financeiro e avanço do lucro
A companhia negocia a cerca de 26 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo da média de aproximadamente 28,5 vezes observada nos últimos cinco anos, segundo Rafael Scarpa, analista de equity da Empiricus.
“O lucro líquido contábil cresceu 32% ano contra ano, favorecido pela base de comparação: no 3T25, as perdas com a participação na OpenAI tiraram US$ 3,1 bilhões do lucro, enquanto neste trimestre a participação gerou ganho de US$ 207 milhões. Sem esses efeitos, o lucro por ação ajustado foi de US$ 4,89 (18% maior na comparação anual)”, escrevem os analistas da XP investimentos.
No trimestre o lucro líquido da Microsoft foi de US$ 41,6 bilhões, um forte crescimento em relação aos US$ 27,7 bilhões obtidos no mesmo trimestre do ano anterior.
Expansão em inteligência artificial e nuvem
Entre os principais destaques, alguns segmentos também ligados à inteligência artificial tiveram crescimento expressivo. A receita no trimestre foi de US$ 92,3 bilhões, alta de 19% e acima do consenso de cerca de US$ 90,6 bilhões.
Dentro do setor de Agents and Infra, a receita da Microsoft Cloud somou US$ 63,9 bilhões, um crescimento de 30% na comparação anual, enquanto a divisão como um todo faturou US$ 76,8 bilhões.
Em relação ao guidance para o próximo trimestre, a receita total deve ficar entre US$ 94,5 bilhões e US$ 95,3 bilhões, enquanto a companhia mantém a projeção de crescimento de 45% para o Azure.
Recomendação de mercado e visão dos analistas
“A resiliência dos resultados, aliada à geração consistente de caixa em meio aos elevados investimentos em tecnologia, é um dos pontos relevantes que o mercado vem analisando nas Magnificent Seven (Mag 7). Enquanto algumas dessas empresas vêm consumindo caixa, a Microsoft demonstra capacidade de financiar seus investimentos e manter disciplina na alocação de capital”, explica Rafael Scarpa, da Empiricus.
A casa mantém recomendação de compra para Microsoft (B3: MSFT34 / Nasdaq: MSFT), destacando que parte da confiança do mercado já está refletida no preço, especialmente diante da expansão contínua do Azure.

