Mercados globais acompanham eleições nos Estados Unidos com foco em déficit e inteligência artificial

Mercados globais acompanham eleições nos Estados Unidos com foco em déficit e inteligência artificial

Economia

Nesta terça-feira (3), os eleitores norte-americanos vão às urnas para renovar parte do Congresso e eleger governadores de 36 estados. A votação de meio de mandato dos Estados Unidos (EUA) ocorre em meio a uma forte queda da popularidade do presidente Donald Trump, que enfrenta o risco de ver o Partido Republicano perder assentos importantes no legislativo.

Em relatório divulgado ao mercado, a UBS avalia que o cenário mais provável é de um governo dividido após as eleições, com 50% de chance de o Partido Democrata conquistar mais cadeiras na Câmara e no Senado contra 10% de probabilidade de os republicanos preservarem o controle absoluto das duas casas legislativas.

Déficit fiscal e o futuro econômico

Apesar de enxergar uma mudança no pêndulo político dos EUA, o banco considera que alterações profundas na agenda econômica têm poucas chances de avançar de forma isolada, independentemente do resultado definitivo nas urnas. Isso acontece porque as regras institucionais do Senado, as divisões internas dentro dos próprios partidos e o poder de veto presidencial tendem a limitar a aprovação de medidas mais ambiciosas.

No entanto, as negociações bipartidárias devem permanecer no radar dos investidores internacionais. O banco acredita que temas críticos como dívida pública, gastos federais e a regulação da inteligência artificial (IA) passarão a ocupar o centro do debate político em Washington nos próximos anos, influenciando diretamente a volatilidade dos ativos.

Teto da dívida e previdência em pauta

Um dos pontos de maior atenção para os mercados financeiros é o teto da dívida dos EUA, um debate legislativo com previsão de ganhar força a partir de 2027. Analistas destacam que um impasse político prolongado entre parlamentares elevaria consideravelmente a aversão ao risco global.

Além disso, a sustentabilidade do Social Security, equivalente à Previdência Social brasileira, aparece entre os temas de longo prazo que exigirão soluções estruturais. O assunto ganha urgência diante da proximidade do prazo estimado para o esgotamento das reservas do fundo fiduciário do programa, previsto para 2032.

Política comercial e o tarifaço

Mesmo diante de eventuais mudanças na composição partidária do Congresso, a política comercial dos EUA deve permanecer amplamente sob controle do presidente, conforme aponta a instituição financeira, o que inclui a manutenção do tarifaço imposto por Trump contra parceiros comerciais globais.

O relatório do UBS pontua que o Poder Executivo manterá autoridade jurídica sobre tarifas, embora o parlamento possa intensificar investigações e audiências públicas sobre o tema nos próximos meses.

Expansão da inteligência artificial

Outro eixo estratégico destacado pelos analistas é a rápida expansão da infraestrutura de inteligência artificial, setor que vem exigindo novos aportes bilionários em data centers por todo o território norte-americano. Com um Congresso possivelmente dividido, a fiscalização sobre empresas de tecnologia tende a ganhar tração, focando em custos energéticos e licenças ambientais, sem frear a corrida tecnológica.