PSOL aciona MP contra gestão Tarcísio por exoneração de servidora que criticou Flávio Bolsonaro

PSOL aciona MP contra gestão Tarcísio por exoneração de servidora que criticou Flávio Bolsonaro

Política

Parlamentares do PSOL acionaram formalmente o Ministério Público de São Paulo para solicitar uma investigação detalhada sobre a exoneração da servidora pública Silvana Pereira Gimenes, que atuava na gestão do governador Tarcísio de Freitas. A servidora, que possui deficiência e trabalha no funcionalismo paulista há 41 anos, foi destituída do cargo de confiança após realizar publicações críticas ao senador Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

A representação foi protocolada na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social pela deputada federal Luciene Cavalcante, pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador paulistano Celso Giannazi. O documento solicita que os promotores apurem a ocorrência de possível retaliação política, desvio de finalidade na conduta administrativa e desrespeito aos direitos das pessoas com deficiência.

Representação no MP-SP aponta possível retaliação política

Até a publicação do ato de exoneração no Diário Oficial do Estado, ocorrida em 28 de outubro, Silvana Pereira Gimenes exercia a função de coordenadora de Desenvolvimento de Programas na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Embora tenha perdido a função comissionada de chefia, ela permanece no quadro geral como funcionária pública concursada da administração estadual.

A ação protocolada pelos parlamentares direciona o pedido de apuração ao governador Tarcísio de Freitas e ao secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa. Segundo os autores da representação, a decisão de exonerar a profissional logo após o posicionamento político gera fortes indícios de punição motivada por razões ideológicas.

Para fundamentar a análise, os representantes exigem que o Ministério Público de São Paulo solicite esclarecimentos detalhados ao governo paulista. Entre as exigências estão a apresentação da justificativa formal dos ajustes administrativos citados pela gestão, a comprovação de planejamento prévio para a reorganização da pasta e a indicação de outros servidores eventualmente atingidos no mesmo período.

Reação em rede social e acusação de capacitismo

A controvérsia teve início após o debate eleitoral promovido pela TV Globo, ocasião em que o senador Flávio Bolsonaro utilizou a expressão “nove dedos” para se referir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A servidora utilizou suas redes sociais pessoais para criticar publicamente a declaração do parlamentar, apontando que o termo utilizado carrega teor capacitista por fazer menção pejorativa a uma limitação física.

O capacitismo é caracterizado pela discriminação e pelo preconceito contra pessoas com deficiência, manifestando-se frequentemente por meio de falas ou atitudes que inferiorizam indivíduos devido às suas características físicas ou neurológicas. A servidora argumentou que posições de liderança e figuras públicas não deveriam recorrer a ofensas voltadas a deficiências corporais.

Poucos dias após a publicação das críticas na internet, o ato que formalizou o encerramento do cargo comissionado da servidora foi assinado e publicado. Para os parlamentares do PSOL, a coincidência temporal entre os fatos evidencia indícios de abuso de poder por parte dos superiores hierárquicos.

Resposta oficial do Governo de São Paulo e próximos passos

Em nota oficial, o Governo do Estado de São Paulo negou veementemente qualquer ligação entre o desligamento da servidora do cargo de coordenação e as opiniões emitidas por ela a respeito do senador. A gestão estadual sustentou que a mudança decorreu exclusivamente de readequações operacionais e administrativas internas da secretaria.

A apuração requerida ao Ministério Público deverá avaliar se a conduta dos gestores públicos violou os princípios constitucionais que regem a administração pública, como a impessoalidade, a moralidade e a legalidade. Caso o órgão fiscalizador identifique indícios de irregularidade ou desvio de finalidade na exoneração, poderão ser instaurados procedimentos administrativos ou ações judiciais contra os agentes responsáveis.