uma iniciativa de orientação técnica voltada à agricultura catarinense transformou a rotina de produtores rurais e resultou em uma economia expressiva no campo. ao longo de duas décadas, o trabalho coordenado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) auxiliou agricultores a ajustarem as doses de fertilizantes nitrogenados e minerais aplicados nas lavouras, reduzindo o desperdício e melhorando a qualidade do bulbo colhido no estado.
a necessidade de intervenção surgiu no início dos anos 2000, quando a forte concorrência com o produto importado da argentina levou agricultores locais a ampliarem de forma drástica a utilização de insumos. na tentativa de igualar a produtividade, o excesso de substâncias aplicadas acabou gerando desequilíbrios nutricionais nos solos, proliferação de doenças foliares e perdas expressivas no armazenamento pós-colheita.
o impacto do ajuste técnico nas lavouras
pesquisadores da instituição passaram a estudar detalhadamente as curvas de absorção de nutrientes pelas plantas para definir parâmetros exatos de adubação. com o suporte de extensionistas em contato direto com as propriedades, o estado registrou uma queda de 40% no volume de adubos empregados nas plantações catarinenses.
segundo dados reunidos no balanço oficial da instituição, a mudança nos métodos de manejo diminuiu o custo médio de produção da cebola em 10% e reduziu as perdas posteriores à colheita em 21,4%. os ganhos financeiros combinados, decorrentes da eficiência produtiva e da menor necessidade de compras de insumos, alcançaram a marca de R$ 62,47 milhões em todo o território catarinense.
mudança de hábito entre os agricultores locais
a adesão às novas diretrizes ocorreu de forma gradual, impulsionada pelo relato de produtores que testaram a técnica na prática. em Aurora, o produtor Vanderlei Schmitt adotou o novo modelo de adubação e reduziu gastos excessivos, sendo seguido pelo irmão na safra seguinte após comprovar a resistência superior das plantas contra pragas e intempéries climáticas.
outro exemplo ocorreu com Renato da Silva, agricultor com décadas de experiência em Ituporanga. inicialmente cético em relação às orientações científicas, ele reviu sua rotina de cultivo quando os preços dos insumos dispararam no mercado. com a redução no volume de sacas aplicadas por hectare, sua produtividade superou a média registrada no estado durante os ciclos recentes.
o papel da pesquisa na sustentabilidade agrícola
o trabalho liderado por especialistas como Claudinei Kurtz consolidou manuais técnicos e boletins voltados à fertilidade do solo e nutrição vegetal, servindo de base para orientar lavouras em solo catarinense e em estados vizinhos. a proximidade entre a ciência e o dia a dia do campo permitiu que os agricultores superassem práticas baseadas no uso desregulado de produtos comercializados por revendas locais.
a continuidade desse acompanhamento técnico demonstra que a sustentabilidade no campo caminha lado a lado com a viabilidade financeira. ao substituir o excesso de adubação por um manejo racional e parcelado, a agricultura regional garantiu maior durabilidade dos estoques armazenados e fortaleceu a competitividade da cebola cultivada por produtores locais no mercado nacional.

