A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais do Brasil reverberou na oposição da Argentina como um fracasso pessoal do presidente Javier Milei e uma aula para derrotar o ultraliberal no pleito de outubro do ano que vem.
A virada do petista no segundo turno, inédita desde a redemocratização e conquistada após intensa campanha contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou o nome de “Lulazo” nas manchetes dos países vizinhos e inspirou movimentos de esquerda em todo o mundo, inclusive na Argentina.
Articulação política e o “Exército do Peronismo”
Não fazia duas horas que Lula havia sido matematicamente eleito quando foi criado o canal de WhatsApp “Exército do Peronismo”, inspirado na iniciativa do deputado federal André Janones para se comunicar com apoiadores de Lula.
Em uma semana, o núcleo do PT na Argentina já recebeu ao menos dez pedidos de conversas e entrevistas para compartilhar aprendizados da campanha brasileira.
A vitória de Lula evidencia a necessidade de organização e de unir esforços, tanto do ponto de vista político quanto tecnológico, aponta o deputado Martín Lousteau, da União Cívica Radical, partido de centro-esquerda argentino.
Repercussão e o cenário na América Latina
Para lideranças locais, o resultado obtido no Brasil representa uma demonstração clara de que uma sociedade mobilizada pode frear e derrotar a crueldade de certas vertentes da direita atual, que chegam a desprezar a democracia.
O pleito ganha outra dimensão se considerada a atual conjuntura política da região. A América Latina vive um giro à direita que ficou consolidado nos últimos meses, com a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia e Keiko Fujimori no Peru.
Essa tendência, batizada de “onda azul”, praticamente isolou Brasil, México e Uruguai entre países governados por políticos que vão da centro-direita ao ultraliberalismo, tornando o resultado brasileiro um fôlego para o campo progressista.
Mudança de tendência e o impacto regional
Para o secretário-geral do Partido Comunista da Argentina, Jorge Kreyness, o resultado serve como um alento para as forças progressistas do país vizinho e pode marcar uma mudança de tendência após uma série de vitórias da direita na região.
Embora não fosse o resultado desejado pela maioria dos líderes das nações vizinhas, a vitória de Lula não soou como uma derrota local em nenhum outro país, embora o presidente argentino Javier Milei tenha apostado alto na eleição de Flávio Bolsonaro.
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