Desigualdades marcam formalização do trabalho entre jovens brasileiros

Desigualdades e IA: os desafios do trabalho jovem no Brasil

Geral

A formalização no mercado de trabalho entre os jovens brasileiros de 16 a 29 anos é marcada por profundas desigualdades sociais, regionais e raciais, conforme aponta a pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, realizada pela Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva.

O levantamento, que ouviu 1.816 pessoas em todo o país, detalha que 70% dos jovens declaram estar trabalhando atualmente. Destes, apenas 44% possuem carteira assinada, enquanto 15% são assalariados sem registro, 13% atuam como autônomos ou freelancers, 10% estão na informalidade e 8% trabalham como estagiários ou aprendizes. Além disso, 20% estão em busca de uma oportunidade no momento.

Desigualdades sociais e barreiras de acesso

O estudo demonstra que a carteira assinada é uma realidade para 43% dos jovens das classes A/B, contra 35% nas classes D/E. Em contrapartida, os trabalhos sem registro atingem 21% dos mais pobres e 13% dos mais ricos. A disparidade regional também impressiona: a formalidade chega a 58% no Sul e 55% no Sudeste, mas despenca para 29% no Norte e 20% no Nordeste.

No recorte racial, 49% dos jovens brancos possuem emprego formal, índice que cai para 41% entre os negros. Os bicos informais absorvem 12% da população negra e apenas 5% da branca. A falta de experiência é apontada por 49% dos entrevistados como a maior barreira para conseguir uma vaga, seguida pela alta concorrência, citada por 39%. Para 96% dos participantes, a indicação de amigos ou familiares é decisiva, sendo que 77% conseguiram a ocupação atual dessa forma.

Planos futuros e prioridades profissionais

Quando questionados sobre o futuro, 30% desejam um emprego formal no presente, mas esse número cai para 16% em um horizonte de cinco anos. Em contrapartida, a preferência pelo trabalho autônomo saltou de 28% para 42%, indicando o desejo de empreender e conquistar independência após adquirir estabilidade inicial.

Na hora de escolher onde atuar, o salário é prioridade para 64%, mas 62% aceitariam ganhar menos em troca de um ambiente saudável. O esgotamento profissional é evidente: 69% já pediram demissão por vontade própria, principalmente devido à falta de respeito das lideranças (43%) e a jornadas exaustivas (36%).

Educação, rotina e o impacto da inteligência artificial

Entre os entrevistados, 48% estudam, 32% conciliam estudo e trabalho, e 13% estão fora de ambas as atividades. A responsabilidade pelos cuidados da casa e da família recae fortemente sobre as mulheres: 60% cuidam dos afazeres domésticos e 28% assistem a familiares, comparados a 40% e 14% entre os homens, respectivamente.

O avanço tecnológico também gera apreensão. Nove em cada dez jovens acreditam que a inteligência artificial vai eliminar vagas, e metade teme perder espaço no mercado. O receio é mais intenso entre mulheres, pessoas de baixa renda e com menor escolaridade. Apesar disso, 97% utilizam ferramentas digitais e IA para aprender e impulsionar suas carreiras, enxergando na tecnologia um caminho para o desenvolvimento profissional.