O mercado físico do boi gordo segue em ritmo de valorização em grande parte do território brasileiro. A pressão altista nas cotações é impulsionada, principalmente, pela dificuldade dos frigoríficos em compor suas escalas de abate, criando um cenário de oferta restrita frente à demanda industrial.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a situação é delicada para a indústria. Atualmente, a programação de abate atende entre quatro e sete dias úteis na média nacional. Esse encurtamento nas escalas força os frigoríficos a elevarem os preços oferecidos aos pecuaristas para garantir o fluxo de animais nas plantas de processamento.
Desafios logísticos e o impacto do cenário internacional
O setor pecuário enfrenta um momento de cautela. Além da dificuldade operacional, o mercado tem registrado um aumento no número de frigoríficos que optam por férias coletivas em diversos estados. Essa medida reflete a necessidade de ajuste da capacidade produtiva diante da volatilidade dos custos e da oferta de animais terminados.
O cenário externo também adiciona uma camada de incerteza. O mercado futuro reagiu recentemente à notícia de que os Estados Unidos planejam a imposição de uma tarifa de 12,5% sobre diversos produtos importados, medida que deve impactar diretamente a carne bovina brasileira. Paralelamente, o setor monitora de perto o esgotamento precoce das cotas de exportação destinadas à China, um dos principais destinos do produto nacional.
Dinâmica de preços no mercado físico
A valorização da arroba é sentida de forma heterogênea, mas consistente, entre os principais estados produtores. Em São Paulo, referência para o mercado, a cotação atingiu R$ 343,50. Em Goiás, o valor chegou a R$ 325,36, enquanto em Minas Gerais o preço fixou-se em R$ 320,29. Já no Mato Grosso do Sul, a arroba é negociada a R$ 332,39, e no Mato Grosso, o valor registrado foi de R$ 320,74.
Reflexos no atacado e consumo doméstico
No mercado atacadista, a indústria busca repassar os custos da matéria-prima para manter suas margens operacionais. Houve um reajuste de R$ 1,00 por quilo em cortes como o quarto traseiro, agora a R$ 26,50, o quarto dianteiro, a R$ 20,00, e a ponta de agulha, cotada a R$ 19,00.
Contudo, o escoamento desses preços elevados encontra barreiras no consumo interno. Conforme aponta Safras & Mercado, a demanda doméstica possui limitações claras, especialmente em um ambiente onde proteínas concorrentes, como a carne de frango, apresentam preços mais competitivos. Essa diferença de custo tem direcionado a preferência das classes C, D e E para opções mais acessíveis, limitando o espaço para novas altas expressivas no varejo.
O câmbio também desempenha um papel fundamental nesta equação. O dólar comercial encerrou a sessão recente com alta de 0,62%, cotado a R$ 5,0838 para venda, o que influencia diretamente a competitividade das exportações e os custos de produção dentro da porteira.
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Fonte: canalrural.com.br
