Alta nos preços de hotéis para posse presidencial leva deputado a acionar o Ministério Público

Alta nos preços de hotéis para posse presidencial leva deputado a acionar o Ministério Público

Política

A proximidade de grandes eventos políticos e institucionais na capital federal costuma movimentar intensamente o setor hoteleiro e o mercado de locações temporárias. No entanto, a disparada nos valores cobrados por acomodações para a data da posse presidencial, marcada para 5 de janeiro, gerou forte repercussão pública e motivou uma ação formal de fiscalização em Brasília.

O deputado federal eleito Fábio Félix (PSOL-DF) encaminhou uma representação ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para exigir a apuração de possíveis abusos nos preços praticados por estabelecimentos hoteleiros e plataformas digitais de hospedagem. A iniciativa ocorreu após dezenas de relatos de cidadãos e turistas nas redes sociais apontarem reajustes expressivos nas tarifas logo após o encerramento do segundo turno das eleições.

Valores até vinte e três vezes maiores chamam a atenção

De acordo com os dados apresentados na representação enviada ao órgão de controle, algumas diárias registraram aumentos que chegam a multiplicar por 23 o valor normalmente cobrado em períodos de baixa ou média temporada na cidade. Um quarto duplo em um hotel tradicional, cuja tarifa regular costuma girar em torno de R$ 500, passou a ser ofertado por mais de R$ 12 mil para a data do evento solene. Em casos mais extremos, registros apontam cifras que alcançam até R$ 35 mil pela diária.

O fenômeno não se restringe apenas à rede hoteleira tradicional de Brasília. Plataformas de aluguel por temporada também exibem saltos expressivos nos preços de imóveis residenciais. Um apartamento localizado em um condomínio próximo à área central da capital, cujo custo habitual é de R$ 287, teve a diária reajustada para R$ 2.510, o equivalente a um acréscimo superior a oito vezes o valor original.

Cobrança de explicações e limites legais

Para o parlamentar que assina a denúncia, a oscilação tarifária decorrente da lei da oferta e da procura encontra limites na legislação de proteção ao consumidor quando atinge patamares desproporcionais. O documento protocolado pontua que nem toda variação de preço é ilegal, mas ressalta que aumentos drásticos necessitam de justificativas objetivas baseadas em custos reais e transparentes.

A petição solicita a instauração de um procedimento administrativo para investigar os critérios utilizados na formação dessas tarifas. Entre as demandas direcionadas às empresas e plataformas intermediárias estão a exigência do histórico de preços praticados nos meses anteriores e o esclarecimento sobre eventuais algoritmos automatizados que possam inflacionar artificialmente o mercado durante picos de demanda institucional, conforme detalhado pela cobertura da Folha de S.Paulo.