Pai que jogou filho de ponte no RS afirma não se lembrar do crime durante julgamento

Pai que jogou filho de ponte no RS afirma não se lembrar do crime durante julgamento

Rio Grande do Sul

O homem acusado de arremessar o próprio filho de 5 anos da ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, sentou no banco dos réus nesta quarta-feira (4). O crime ocorreu em março de 2025 e chocou a comunidade regional e nacional pela brutalidade. Durante o depoimento prestado na sessão do Tribunal do Júri, o réu afirmou diante das autoridades que não consegue recordar os detalhes da morte da criança.

O menino Theo Ricardo Ferreira Felber foi jogado na água ainda com vida, mas não resistiu à queda e faleceu em decorrência de um traumatismo crânio-encefálico, conforme atestou o Instituto-Geral de Perícias (IGP). O julgamento, que teve forte repercussão na imprensa e nas redes sociais, foi pautado pela expectativa de uma definição rápida pela Justiça gaúcha.

Depoimento e contestação da memória do réu

Questionado pela promotora Graziela Lorenzoni sobre a dinâmica dos fatos, o réu Tiago Ricardo Felber alegou amnésia parcial ou falta de clareza sobre o momento da execução. “Não premeditei o crime. Eu fiz, mas não me lembro mais. Não sei por que eu matei o meu filho. Nem eu sei responder o por que matei ele”, declarou perante o plenário.

Por sua vez, a defesa técnica, representada pela defensora pública Tatiana Boeira, buscou contextualizar a trajetória anterior do acusado e assegurar o direito a um processo legal equilibrado. “Meu compromisso é garantir que ele tenha um julgamento justo. Pelos elementos que existem no processo, algo estranho aconteceu. Ele sempre foi excelente pai”, argumentou a defensora durante os debates.

Acusações formais do Ministério Público

O Ministério Público imputou ao réu uma série de graves acusações penais decorrentes da investigação conduzida pelas autoridades policiais. Entre as imputações constam homicídio tentado qualificado, homicídio qualificado consumado e o crime de ameaça direcionado contra a ex-companheira, que era mãe da vítima.

De acordo com a denúncia formalizada pelos promotores, a motivação principal estaria ligada a um sentimento de vingança contra a mãe do menino. Os investigadores apontaram que os atos foram praticados por motivo torpe, com emprego de asfixia prévia, meio cruel, dissimulação e recurso que dificultou totalmente a defesa do menino.

Dinâmica e histórico do caso em São Gabriel

O pequeno Theo morava com a mãe na cidade de Nova Hartz, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas estava passando alguns dias sob os cuidados do pai na Fronteira Oeste. Segundo a investigação, no dia anterior à queda fatal, o pai teria esganado a criança no quarto até deixá-la desacordada.

Horas antes do desfecho trágico, câmeras de monitoramento urbano registraram o homem pedalando uma bicicleta com o filho na parte dianteira. No dia 25 de março de 2025, o suspeito se apresentou espontaneamente em um batalhão da Polícia Militar e confessou o ato. Relatos colhidos de testemunhas também descreveram o réu como uma pessoa controladora e inconformada com o fim do relacionamento.