A escolha de uma braquiária para formação de pastagens não deve considerar apenas o volume total de forragem produzido. A proporção entre folhas e colmos também é um indicador importante para avaliar a composição do pasto e seu potencial de aproveitamento pelos animais. Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa inédita conduzida pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em Minas Gerais, com dez materiais de Urochloa.
Realizado em 2025, no Campo das Vertentes, o estudo comparou nove híbridos de braquiária com a cultivar Marandu, amplamente utilizada na pecuária brasileira. Entre os materiais avaliados, o híbrido Mavuno apresentou o maior resultado numérico de produção anual de folhas, com 17,31 toneladas de matéria seca por hectare, além de uma relação folha/colmo de 4,68.
Metodologia e desempenho no Campo das Vertentes
O trabalho foi desenvolvido no Campus Tancredo de Almeida Neves (CTAN), da UFSJ, e analisou a produção e a composição da forragem durante as estações das águas e da seca. A pesquisa foi realizada como trabalho de conclusão do curso de Zootecnia de Lucas Miguel Martins, sob orientação da professora doutora Janaina Azevedo Martuscello Vieira da Cunha.
Segundo a orientadora, a avaliação tem importância regional, especialmente pela presença de sistemas de produção de leite baseados em pastagens no Campo das Vertentes. A pesquisadora destaca que encontrar híbridos adaptados é essencial para diversificar as pastagens da região, embora ressalte que os dados servem como indicadores locais.
Comparação com a cultivar Marandu
No acumulado anual, o Mavuno produziu 22,15 toneladas de matéria seca por hectare. Desse volume, 17,31 toneladas corresponderam às folhas e 3,69 toneladas aos colmos, representando cerca de 78% da matéria seca total registrada pelo híbrido.
O resultado foi cerca de 20% superior ao obtido pelo Marandu, utilizado como cultivar-testemunha. O Mavuno também apresentou produção de colmos 28,4% menor e relação folha/colmo 66,1% superior à do Marandu, demonstrando diferenças estatisticamente significativas na composição morfológica.
Comportamento nas águas e na seca
Durante a estação chuvosa, o híbrido produziu 16,94 toneladas de matéria seca por hectare, com 13,60 toneladas correspondendo à massa seca de folhas. A capacidade de recuperação da forrageira após os cortes também chamou atenção, voltando a atingir a altura ideal em cerca de três semanas.
Entre junho e outubro, período de seca durante o experimento, o Mavuno produziu 5,21 toneladas de matéria seca por hectare. Desse total, 3,72 toneladas foram de folhas, mantendo uma proporção favorável e menor presença de colmos mesmo em condições climáticas mais adversas.
Avaliação técnica e mercado
Para Tiago Penha Pontes, engenheiro agrônomo e gerente técnico da Wolf Seeds, o produtor precisa observar o comportamento da forrageira ao longo de todo o ciclo produtivo. A combinação de alta produção foliar e menor participação de colmos favorece o aproveitamento pelo rebanho.
A pesquisa reforça a importância de ampliar os critérios técnicos na escolha de cultivares, indo além da produtividade total. Embora o valor nutricional não tenha sido medido diretamente, os índices morfológicos colocam o Mavuno em evidência nas condições avaliadas em Minas Gerais.

