Pai que jogou filho de ponte em São Gabriel é condenado a 83 anos de prisão

Pai que jogou filho de ponte em São Gabriel é condenado a 83 anos de prisão

Rio Grande do Sul

Um homem foi condenado a 83 anos e quatro meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato do próprio filho, o menino Théo Felber, de cinco anos. O julgamento de Tiago Ricardo Felber, de 41 anos, ocorreu no Foro de São Gabriel, marcando o desfecho de um dos casos mais chocantes da região.

O crime aconteceu no dia 25 de março do ano passado. De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, a motivação por trás do ato foi um sentimento de vingança contra a mãe da criança, Abigail Ferreira, com quem o réu não aceitava o fim do relacionamento.

A confissão e os detalhes do crime

Logo após cometer o ato, o homem enviou um áudio por um aplicativo de mensagens para uma familiar da ex-companheira. Na gravação obtida pela polícia, ele declarou friamente: "Fiz uma loucurinha agora, tá? Aguenta o coração agora pro resto da vida. Eu atirei o Theo abaixo da ponte agora".

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontou em laudo técnico que a criança estava viva no momento em que foi arremessada da estrutura. A causa oficial da morte foi traumatismo crânio-encefálico decorrente da forte queda. Câmeras de monitoramento haviam flagrado o réu de bicicleta, transportando o filho na parte dianteira, poucas horas antes da tragédia.

Veredito do júri e qualificadoras

O conselho de sentença responsabilizou o réu por homicídio quadruplamente qualificado contra o menino, além de homicídio tentado e ameaça contra a ex-esposa. A Justiça também determinou o pagamento de uma indenização fixada em R$ 100 mil por danos morais à família.

As qualificadoras reconhecidas pelos jurados incluíram motivo fútil, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, dissimulação e o fato de o crime ter sido praticado contra um menor de 14 anos. Durante o julgamento, que durou horas e ouviu oito testemunhas, o acusado alegou não se lembrar dos fatos e afirmou não ter premeditado a ação.

Repercussão e posicionamento da defesa

A defesa, representada pela defensora pública Tatiana Boeira, considerou o andamento do julgamento equilibrado, mas avaliou a pena como excessiva. A equipe jurídica informou que pretende recorrer da decisão e estuda a possibilidade de solicitar um laudo de sanidade mental, argumentando que o réu apresenta histórico de instabilidade emocional e transtornos psicológicos.

O caso gerou forte comoção pública em Nova Hartz, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde a vítima morava com a mãe. Testemunhas ouvidas no processo relataram que o homem possuía um perfil controlador e agressivo, incapaz de lidar com o término da relação familiar.